CORROSION OF CONFORMITY - 12/05/2018 (Vic Club, São Paulo)

É sempre muito gratificante vermos bandas das quais admiramos voltarem a se reunir com ex-integrantes que fizeram a diferença em algum momento de suas trajetórias. Quando foi anunciado que o vocalista/guitarrista Pepper Keenan (Down, ex-Graveyard Rodeo) havia retornado ao Corrosion of Conformity – C.O.C., para os íntimos –, a expectativa não poderia deixar de ser alta, afinal, estamos falando de um músico altamente gabaritado e que foi responsável simplesmente por assumir a linha de frentes de alguns dos melhores trabalhos da banda oriunda da Carolina do Norte (EUA), como "Deliverance" (1994), "Wiseblood" (1996) e "In the Arms of God" (2000).
Tal expectativa foi suprida com perfeição após "No Cross No Crown" ser lançado no início desse ano via Nuclear Blast America. Como se não bastasse, fomos pegos de surpresa mais uma vez quando foi divulgado que o lendário grupo estadunidense retornaria a América do Sul no mês de maio para duas apresentações em solo brasileiro, sendo uma em São Paulo (12) e outra no Rio de Janeiro (13). A apresentação em São Paulo ocorreu na casa de shows Vic Club, localizada no centro da cidade e também contou a presença das bandas Axes Connection (RS) e Uganga (MG). Como foi o evento? Bom, você está prestes a descobrir isso nas próximas linhas...

A abertura do local ocorreu por volta das 17h e cerca de 17h40, a primeira banda entra em cena. Diretamente de Porto Alegre (RS), o Axes Connectioné um quarteto formado em 2015 e que executa um Heavy Metal competente e simples. Composto por Magoo Wise (baixo), Cristiano Hulk (bateria), Marcos Machado (guitarra) e Marcio Machado (vocal), o grupo foi uma ótima escolha para a abertura, tocando composições autorais presentes em seu álbum de estreia, "A Glimpse of Illumination" (2017), como "The Meaning of Evil", "Rearrange Yourself" e "Prepare Your Soul". Para encerrar, ainda mandaram um ótimo cover para a clássica "She Sells Sanctuary" (The Cult), que caiu como uma luva. Detalhe muito importante: essa foi a estreia nos palcos da banda! Nada mal, não?
Aproximadamente 18h30, a banda mineira de Groove/Thrash Metal Ugangasobe ao palco e nos brinda com uma apresentação intensa. Manu Joker (vocal), Murcego (guitarra), Christian Franco (guitarra), Thiago Soraggi (guitarra), Raphael "Ras" Franco (baixo) e Marco Henriques (bateria) fizeram um show irrepreensível e pesado na medida certa, que contou com músicas como "Aos Pés da Grande Árvore" (adaptada para três guitarras), "Fim de Festa" e "Fronteiras da Tolerância (Caos 2)". Também vale mencionar que, para prestar uma singela homenagem à sua terra natal, a banda também mandou um cover do hino "Troops of Doom" (Sepultura), emendando com o riff principal da igualmente clássica "Nightmare", dos também conterrâneos do Sarcófago.
E então, cerca de 19h45, após um pequeno atraso, Pepper Keenan (vocal/guitarra), Mike Dean (baixo/vocal), Woody Weatherman (guitarra/vocal) e o músico especialmente convidado John Green (bateria) surgem para o delírio de todos, mandando ver uma parte da instrumental que encerra o álbum "Wiseblood", "Bottom Feeder (El Que Come Abajo)", composição que prepara o clima poderoso que tomaria conta do lugar instantes depois. Quando as primeiras notas de "The Luddite", o "carro-chefe" do novo trabalho "No Cross No Crown", são tocados, todos os presentes vão ao delírio, cantando o refrão com muita paixão e vontade. O show prossegue em grande estilo com o quarteto executando a excepcional dobradinha "Broken Man" e "Señor Limpio", do clássico indispensável "Deliverance".

"Vocês estão bem?", pergunta o sempre carismático e sorridente frontman Pepper, trajando uma camiseta preta que ostenta a frase "Fodam-se todos os políticos" e uma ilustração de uma mão mostrando o dedo do meio ao centro. Após receber uma resposta super positiva da plateia, o músico anuncia que vão tocar um som do álbum "Wiseblood", "Long Whip/Big America" e após executarem essa composição, já emendam com a faixa-título do mesmo disco. À essa altura, um coro generalizado ( "C.O.C.! C.O.C.!") ecoa pela casa. "Vocês conhecem o álbum "America's Volume Dealer"?, questiona o sempre empolgado Pepper. Depois de um "sim" coletivo, somos presenteados com a ótima "Who's Got the Fire".
Em seguida, o quarteto revisita novamente a obra-prima "Deliverance", tocando a maravilhosa "Seven Days", que é rapidamente sucedida pela arrasa-quarteirão "Paranoid Opioid", uma das faixas mais legais de "In the Arms of God" (2005). Devido ao peso e velocidade moderados dessa composição, um breve moshpit improvisado por alguns presentes se abriu na pista. Esse momento da apresentação certamente acabou remetendo um pouco aos velhos tempos do grupo, quando a proposta musical da banda ainda era direcionada para as sonoridades Hardcore/Punk/Crossover. Jamais deixando o clima do show esfriar, "13 Angels" foi tocada na sequência, seguida da matadora "Vote With a Bullet", que fez os fãs de sonoridades mais viscerais agitarem incessantemente na pista, bem como cantarem sua letra inteira com vontade.
"Ontem a noite eu tive uma briga de machado", diz Pepper em tom irônico apontando para uma cicatriz saliente em seu ombro. Quem compareceu a sessão de autógrafos com ele e o baixista Mike Dean – muito divertida, por sinal – na noite anterior ocorrida na loja Woodstock Discos, em São Paulo, sabe bem que frontman apenas brincou quando disse "briga de machado". Na realidade, a cicatriz foi uma consequência de uma cirurgia realizada em seu ombro, na qual havia sido implantada uma platina. Quando o músico estava tocando dias antes do show, ela saiu do lugar, agravando a cicatriz. Não é a toa que todos que compareceram a sessão de autógrafos foram orientados a não encostar no ombro de Pepper para não piorar a lesão.
Dito isso, Pepper anuncia que vão tocar mais um som do novo disco, para a alegria de todos. E tome "Wolf Named Crown"! À propósito, essa foi a primeira vez que esse som foi executado ao vivo, uma grata surpresa para todos. Após tocarem essa composição, Pepper diz que a música que tocariam na sequência era "sobre ficar alto, pelo menos um pouco". Claro, finalmente era hora de "Albatross", um dos maiores clássicos da carreira dos estadunidenses. Ou seja, falar que foi um dos pontos altos da noite é até chover no molhado. Todos cantaram a letra a plenos pulmões e não tinha qualquer possibilidade desse momento do show não ser um dos melhores.

Após mais agradecimentos ao público, Pepper e cia. encerram o show com "Clean My Wounds", outro clássico emblemático da banda, com todos os presentes esbanjando sorrisos em seus rostos e batendo palmas em alguns momentos. Em "Clean My Wounds", ainda tivemos uma espécie de jam durante sua execução, o que apenas corrobora a perfeita sintonia de seus integrantes, incluindo do músico convidado John Green, que para quem não sabe, é o técnico de bateria de Reed Mullin. Green executou todas as composições com exímio, jamais destoando dos demais. E da forma mais calorosa possível, o show se encerrou.
Depois de assistir a uma tremenda performance dessa magnitude, é sempre complexo encontrar as melhores palavras, entretanto tentarei ser bastante sucinto e dizer que foi simplesmente uma das muitas aulas de bandas veteranas em atividade que vemos por aí. Os músicos possuem um entrosamento indiscutível e além da performance excepcional do quarteto, uma boa plateia é sempre um ponto crucial em uma apresentação e todos mandaram muito bem, cantando e agitando de maneira fervorosa e invejável. Me esqueci de alguma coisa? Mas é claro! Que os mestres do C.O.C. não demorem a retornar!

Integrantes:
Pepper Keenan (vocal/guitarra)
Mike Dean (baixo/vocal)
Woody Weatherman (guitarra/vocal)


Músico Convidado:
John Green (bateria)


Setlist:
1. Bottom Feeder (El Que Come Abajo) (Partial)
2. The Luddite
3. Broken Man
4. Señor Limpio
5. Long Whip/Big America
6. Wiseblood
7. Who's Got the Fire
8. Seven Days
9. Paranoid Opioid
10. 13 Angels
11. Vote With a Bullet
12. Wolf Named Crow
13. Albatross


Encore:
14. Clean My Wounds

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