D.R.I. - 14/04/2018 (Fabrique Club)

PARTE II – "An Evening With a Bunch of Dirty Rotten Imbeciles"


Após o show ultraveloz, visceral e divertidíssimo do Not S.O.D., a ansiedade para assistir aos pioneiros do Crossover Thrash do D.R.I. aumentava consideravelmente e não é pra menos, uma vez que fazia 5 anos desde a última vez que a banda tocou em São Paulo, em dezembro de 2013, no festival Open the Road, ao lado de Violator, Ratos de Porão e Benediction. Desde então, mais duas turnês na América do Sul foram anunciadas, respectivamente nos anos de 2014 e 2016 e infelizmente, ambas foram canceladas, provocando a ira de muitos fãs do grupo e gerando um forte sentimento de controvérsia.

Finalmente, às 20h30, Spike Cassidy (guitarra), Greg Orr (baixo), Rob Rampy (bateria) e Kurt Brecht (vocal), o quarteto mais sujo, podre e imbecil do planeta, está no palco e pronto para tocar o terror sem limites. Quem conhece o D.R.I., sabe que os caras não brincam em serviço e se os álbuns da banda por si só já são uma experiência insana, ao vivo o caos é ampliado à enésima potência. A esmagadora "The Application", do álbum "Definition" (1992) é a música que abre o setlist e é recebida da melhor maneira possível pelos fãs, que fazem a pista girar incessantemente.

Sem tempo para respirar, o quarteto já manda "Hooked", uma das mais agressivas do clássico emblemático "Crossover" (1987), além das curtíssimas e igualmente empolgantes "How to Act", de "Dealing With It!" (1985) e "Commuter Man", do histórico EP de estreia "Dirty Rotten EP" (1983). Em poucas palavras, o D.R.I. sendo o D.R.I., iniciando a apresentação com força total e tirando o fôlego de todos sem muito esforço. De fato, a espera para ver o grupo novamente em solo brasileiro valeu muito a pena.

Após a execução da quadra inicial, o frontman Kurt Brecht anuncia que vão tocar a faixa de abertura do álbum "Full Speed Ahead" (1995), "Problem Addict", uma paulada pra nenhum fã de Crossover Thrash/Hardcore botar defeito. A clássica dobradinha composta por "Snap" e "I'd Rather be Sleeping" faz com que os fãs cantem suas letras com muita vontade e se acabem no moshpit, que fica cada vez mais energético e violento a cada música tocada por esses senhores.

Em tempo, é importante mencionar que muitos foram pegos de surpresa ao saber que o baixista Harald Oimoen não faz mais parte do grupo. Greg Orr (Attitude Adjustment) é quem está assumindo as quatro cordas atualmente e o baterista Rob Rampy (Denial Fiend, The Power of Pain), responsável por gravar os álbuns "Definition" e "Full Speed Ahead", é quem assumiu as baquetas.

"Soup Kitchen" e seu alucinante híbrido de Blues e Hardcore vieram na sequência, arregaçando tudo e todos. Pouco depois, temos mais um breve intervalo, onde Kurt pede uma saudação para o tributo Not S.O.D. e é correspondido imediatamente. A balbúrdia desgovernada prossegue com o hino "Violent Pacification", do EP homônimo de 1984. Após a tocarem, Kurt e menciona que alguém perdeu um par de óculos.

Durante essa pausa, o vocalista alega que o Brasil é um dos
lugares na qual mais gostam de tocar devido a reciprocidade que os fãs possuem por aqui. O músico também explica que vão tocar as composições do EP "But Wait... There's More!", lançado em 2016. E numa tacada só, mandam "Against Me", "Anonimity" e "As Seen on TV". Quem já ouviu esse EP, sabe que as duas últimas faixas presentes nele são duas regravações de dois clássicos da banda, "Mad Man" e "Couch Slouch" e para tocar esses dois sons marcantes, os integrantes recrutam o baixista Dan Lilker. O resultado é um momento simplesmente épico. Para ter uma ideia, o show estava tão intenso que nem mesmo a grade de segurança impediu alguns fãs de promoverem stage dives durante a apresentação.

O moshpit e a loucura permanecem firmes e fortes durante todo o restante do show, que ainda contou com as clássicas e obrigatórias "Acid Rain", "Probation", "Abduction", "Argument Then War", além das curtíssimas e aniquiladoras "Equal People", "Yes M'am", "The Explorer", "Karma" e claro, o pequeno hino "Who Am I". "4 of a Kind" (1988), trabalho que completa três décadas nesse ano, é explorado pela primeira vez na sequência, através da trinca "Slumlord", "Dead in a Ditch" e "Suit and Tie Guy". "Eu vejo felicidade quando tocamos muito. Vocês são muito loucos, porra!", diz um animado Kurt Brecht, pouco antes de anunciar a próxima pedrada do set: "Syringes in the Sandbox", com seu groove estarrecedor e levadas precisas de bateria, que eram acompanhadas pelos fãs até mesmo no moshpit.

Em meio a tantos clássicos sendo tocados, era hora de uma música especial para os moshers e Thrashers de plantão e claro, só posso estar falando de "Thrashard", a faixa de abertura de "Thrash Zone" (1989). Creio que esse foi um dos momentos mais insanos na pista, com todos agitando da forma mais brutal e maníaca possível. O mesmo nível de insanidade se manteve nas músicas seguintes, "All for Nothing" e "Manifest Destiny". Os integrantes deixam o palco por alguns instantes e rapidamente retornam para finalizar a apresentação com chave de ouro, tocando as indispensáveis "I Don't Need Society", "Beneath the Wheel" e claro, o hino dos hinos "The Five Year Plan".

Creio que a melhor maneira de definir o show do D.R.I. é dizer que se trata de uma legítima aula de Crossover Thrash/Hardcore. A energia e a loucura presentes na performance dos caras beira a histeria em formato musical, algo que todo fã de música pesada e veloz merece conferir ao menos uma vez na vida. Também é importante mencionar que a banda publicou em sua página oficial do Facebook que essa foi a melhor sul-americana de todas e prestaram agradecimentos a produtora MP Tour Management por esse feito, enfatizando que são profissionais honestos e capacitados.

Como mencionei anteriormente, a espera para ver os Sujos, Podres e Imbecis mais uma vez no Brasil valeu muito a pena e quem conferiu certamente não se arrependeu em momento algum. O quarteto prometeu voltar mais vezes e certamente ficaremos no aguardo por mais shows insanos desses pioneiros em nosso país. Que não demorem a voltar!


Integrantes:
Spike Cassidy (guitarra)
Kurt Brecht (vocal)
Rob Rampy (bateria)
Greg Orr (baixo)

Músico convidado:
Dan Lilker (baixo) - Faixas 13 e 14

Setlist:
1. The Application
2. Hooked
3. How to Act
4. Commuter Man
5. Problem Addict
6. Snap
7. I'd Rather be Sleeping
8. Soup Kitchen
9. Violent Pacification 
10. Against Me 
11. Anonimity
12. As Seen on TV
13. Mad Man 
14. Couch Slouch 
15. Acid Rain
16. Probation
17. Abduction
18. Argument Then War
19. Equal People
20. Yes M'am
21. The Explorer
22. Karma
23. Who Am I
24. Slumlord
25. Dead in a Ditch
26. Suit and Tie Guy 
27. Syringes in the Sandbox
28. Thrashard
29. All for Nothing
30. Manifest Destiny

Encore:
31. I Don't Need Society
32. Beneath the Wheel
33. The Five Year Plan

Comentários