NOT S.O.D. + D.R.I. – 14/04/2018 (São Paulo)
PARTE I – NOT S.O.D.: Fale Português Ou Morra!
Após cinco anos de espera desde sua última vinda ao Brasil e com dois cancelamentos nesse meio tempo, neste sábado (14/04) a lenda do crossover Dirty Rotten Imbeciles (ou apenas D.R.I., como são mais conhecidos) finalmente se apresentou em São Paulo, no Fabrique Club, localizado na Barra Funda.
A abertura do show foi realizada pelo projeto Not S.O.D., que contou com Dan Lilker, baixista do S.O.D., tocando o clássico "Speak English or Die" juntamente com outros músicos brasileiros.
Exatamente às 19:30 entraram no palco João Gordo (Ratos de Porão) nos vocais, Guilherme Martim (Viper/Toyshop) na bateria, Cleber Orsioli (Blackning) na guitarra e Dan Lilker (Nuclear Assault/Venomous Concept/ex-Anthrax/ex-Brutal Truth, entre outros, além de único representante do S.O.D.) no baixo.
É muito importante ressaltar que, apesar de contar com um integrante do verdadeiro S.O.D. (Stormtroopers of Death), o Not S.O.D. trata-se de um tributo e não uma apresentação da banda em si. Portanto não confundam, apesar de ter o consentimento dos outros membros, a apresentação vista na abertura do evento NÃO foi o S.O.D., formado por Scott Ian e Charlie Benante (Anthrax), e que também contava com Billy Milano (M.O.D.) nos vocais, além de Lilker no baixo.
O show teve como repertório o álbum "Speak English or Die" (1985) na íntegra, sem nenhuma faixa a mais ou a menos, para a decepção de alguns fãs que tinham a esperança de rolar algo extra, como alguma das faixas bônus de algum dos relançamentos do próprio álbum, alguma outra música do S.O.D., algum cover de alguma das outras bandas do Dan Lilker ou até mesmo do Ratos de Porão, já que o tributo contava com o João Gordo nos vocais.
Clássico do crossover e que dispensa qualquer apresentação, o primeiro álbum da banda conta com faixas como "March of the S.O.D.", "Kill Yourself", "Milano Mosh", "Chromatic Death", "Sargent D and The S.O.D.", "Milk", além da emblemática e controversa "Speak English or Die".
Logo antes do início da apresentação, João Gordo entrou no palco segurando muitas folhas de papel em uma das mãos. O receio de alguns fãs foi confirmado logo após – apesar do show ter sido anunciado no ano passado, ele não se deu ao trabalho de decorar as letras, o que prejudicou bastante sua performance como frontman, já que ao invés de rolar uma interação maior com o público ele passou a maior parte do show olhando para os papéis.
Apesar de todas as faixas terem sido mantidas na apresentação, duas delas foram modificadas, sendo cantadas em português: "Sargent D and the S.O.D.", segunda faixa do álbum, sendo que a primeira "March of the S.O.D." se trata de uma faixa instrumental, e a quinta e clássica "Speak English or Die".
Ao ouvir a versão traduzida de "Sargent D", alguns fãs tiveram o receio de que todas as faixas fossem cantadas em nossa língua, porém ao tocarem "Kill Yourself" e "Milano Mosh", João Gordo começou a cantar suas respectivas letras originais em inglês, sempre olhando para suas inseparáveis folhas.
Antes da faixa seguinte, Gordo falou sobre a crescente onda fascista e extremista que assola nosso país e explicou que tinha feito uma versão em português para a politicamente incorreta "Speak English or Die", que conta com uma letra um tanto racista e xenófoba contra latinos que migram para os Estados Unidos sem terem domínio da língua inglesa e acabam sendo forçados a aceitar empregos menos reconhecidos no país e tendo dificuldades em se comunicar com os nativos. A versão brasileira se chama "Não Falo Inglês e Foda-se" e conta com uma resposta à altura para a "Speak English", falando o sobre o outro lado da história, dos gringos que vêm para o Brasil e não falam a nossa língua. Após a explicação, João primeiramente leu a letra na íntegra e logo se deu início à pancadaria na versão BR.
Eu particularmente achei bem legal a ideia de fazer versões em português dessas músicas, principalmente da polêmica "Speak English or Die", porém, assim como muitos fãs da banda, gostaria de ouvir TAMBÉM suas versões originais no final do show, algo esperado por alguns presentes.
Na sequência rolaram todas as outras dezesseis músicas do álbum em suas versões originais, na mesma ordem em que se encontram no disco.
Também é interessante ressaltar que o moshpit, arrebatador do início ao fim, contou com uma boa quantidade de garotas, coisa que podemos perceber cada vez mais nos shows de thrash e crossover em São Paulo. Porém infelizmente uma boa parcela do público masculino não colabora nem um pouco para que as meninas se sintam confortáveis e seguras nos shows e dentro do mosh, resultando em muitos relatos das mulheres presentes reclamando de assédio e de caras babacas que estavam invadindo seus espaços, mesmo fora da roda.



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