Três anos após sua última passagem por terras tupiniquins, o Agnostic Front, lenda do Hardcore de Nova York – ou simplesmente NYHC, para os íntimos – retornou ao Brasil para realizar três apresentações no país. A banda, que promove “The American Dream Died”, o seu décimo primeiro álbum de estúdio, lançado no ano passado, passou pelas cidades de Limeira, São Paulo e Minas Gerais. Em São Paulo, Roger Miret e cia. se apresentaram na Clash Club, casa de shows localizada na região da Barra Funda. Sempre que uma banda veterana vem ao nosso país, não importa o número de vezes que o grupo já tenha se apresentado por aqui, as expectativas são sempre altas, ainda mais se tratando de um grupo do porte do Agnostic Front e posso assegurar que a espera valeu e muito a pena.
A abertura da casa ocorreu às 18h e pouco depois, a banda
paulistana One True Reason e a banda mineira Last Warning tiveram a árdua
missão de abrir para atração principal estadunidense. Ambas fizeram o seu papel
de forma profissional, entretanto, evidentemente o público mal aguentava
esperar pelo show headliner. Por volta das 20h, as luzes se apagam e a imponente
arte de capa de “The American Dream Died” surge no telão do palco. Sem muita
demora, os integrantes Pokey Mo (baterista), Mike Gallo (baixo), Vinnie Stigma
e Craig Silverman (guitarras) e Roger Miret (vocalista) sobem ao palco e já
mandam a obrigatória “The Eliminator”, da obra prima “Cause for Alarm” (1986).
A balbúrdia estava formada! A casa veio abaixo com o mosh pit comendo solto na pista
e o stage dive rolando de forma frenética no palco.
“Dead to Me” foi a segunda música da apresentação, seguida
de “My Life My Way”. As novas e igualmente sensacionais “Police Violence” e
“Only in America” também foram recebidas calorosamente, com todos os presentes
agitando como se não houvesse amanhã. Eis que Roger anuncia o hino
contemporâneo “For My Family”. Esse é sempre um momento importante dos shows do
grupo, com todos cantando a plenos pulmões o seu refrão poderoso e marcante. Para
a alegria da fase mais Old School da banda, a trinca a seguir foi simplesmente
implacável: “Friend or Foe”, “Victim in Pain” e “Your Mistake” fizeram todos
enlouquecerem ainda mais, se é que isso é possível. Não há palavras para
descrever o poder de destruição que esses caras têm.
Sem deixar o público perder o pique e muito menos esfriar o
show como um todo, a banda prossegue com mais duas composições de seu último
trabalho, “I Can’t Relate” e “Old New York”.
Igualmente intensas, “All Is Not Forgotten”, “Peace” e o clássico e
obrigatório cover do Iron Cross “Crucified” foram tocadas na sequência,
novamente promovendo o mais profundo caos na pista e no palco. Resumindo: se
você é daqueles que precisa de tempo para descansar entre uma música e outra,
talvez essa não seja uma banda para você ver ao vivo. O que tivemos a seguir?
Ah, nada demais! Apenas a ótima “Believe”, as maravilhosas “United Blood” e
“Blind Justice” e a não menos matadora e psicótica “Last Warning”.
Direto do último álbum, a grudenta “Never Walk Alone” foi
recebida de braços – e ouvidos – bem abertos por todos. Uma execução épica e
matadora, mas um momento ainda mais marcante veio a seguir, quando Roger
começou a cantar os seguintes versos: “From the east coast to the west coast/Gotta
gotta gotta go!” Era a hora da gigantesca e mais que obrigatória “Gotta Go” ser
tocada. Sua execução é sempre um espetáculo a parte e dessa vez não foi
exceção, com diversos presentes subindo ao palco, cantando e agitando
ensandecidamente. O carismático Roger Miret chegou a descer do palco durante um
momento da música e teve a ajuda dos fãs que estavam no palco para retornar
para lá. Performance completamente fenomenal e isenta de quaisquer ressalvas.
Simplesmente incrível!
O show ainda contou com a presença das arrasa-quarteirões
“Riot, Riot, Upstart” e “Police State”, bem como das espetaculares “Take Me
Back”, “A Mi Manera” e “Addiction”. Roger questiona aos fãs se gostariam de
ouvir mais músicas e sem mais delongas, executam a soberba “United &
Strong”. Considerado um ícone tão importante do Hardcore nova-iorquino como
Miret, o aclamado guitarrista Vinnie Stigma canta a curta e divertidíssima
canção “Pauly The Dog”. Logo após, ainda tocam “Power” e para finalizar com
chave de ouro, a banda executa uma releitura absolutamente perfeita para
“Blitzkrieg Bop”, do Ramones. Uma releitura que certamente deixaria a clássica
banda de Punk Rock muito orgulhosa.
Mesmo após todos esses anos em atividade o Agnostic Front
continua sendo exatamente aquilo que sempre foi: uma instituição indestrutível,
irrepreensível e incansável do Hardcore. Possuir uma trajetória tão longa e
rica e ainda proporcionar apresentações completamente insanas e energéticas
como essa não é para qualquer banda. Certamente um dos melhores shows do ano!
Integrantes:
Roger Miret (vocal);
Vinnie Stigma (guitarra e vocal de apoio);
Craig Silverman (guitarra e vocal de apoio);
Mike Gallo (baixo e vocal de apoio);
Pokey Mo (bateria).
Setlist:
1. The Eliminator
2. Dead to Me
3. My Life My Way
4. Police Violence
5. Only in America
6. For My Family
7. Friend or Foe
8. Victim in Pain
9. Your Mistake
10. I Can't Relate
11. Old New York
12. All Is Not Forgotten
13. Peace
14. Crucified (Iron Cross cover)
15. Believe
16. United Blood
17. Blind Justice
18. Last Warning
19. Never Walk Alone
20. Gotta Go
21. Riot, Riot, Upstart
22. Police State
23. Take Me Back
24. A Mi Manera
25. Addiction
26. United & Strong
27. Pauly The Dog
28. Power
29. Blitzkrieg Bop (Ramones cover)

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