Dois anos após terem realizado a sua última apresentação em
terras brasileiras, os veteranos do Grindcore/Death Metal do Brujeria retornam
para realizar uma única apresentação, em São Paulo, na Clash Club, localizada
na região da Barra Funda. Assim que o evento foi anunciado oficialmente, muitos
reclamaram devido ao fato do show ter sido marcado em uma segunda-feira.
Contudo, apesar dessa adversidade, além de outros problemas como o trânsito
caótico da cidade grande, muitos fãs compareceram para conferir a esmagadora
performance do grupo.
A casa abriu às 19h e por volta das 20h o público pôde
conferir a apresentação do Endrah, banda paulistana que executa uma mistura de
Death Metal com Hardcore. A banda executou um “set” curto, porém perfeitamente
agressivo e contagiante. A escolha do grupo para abrir o evento foi uma
excelente pedida e sem sombra de dúvidas foi um fantástico aquecimento para a
atração principal. Os músicos realizam uma apresentação energética e brutal.
Destaque para a performance de palco arrasadora do vocalista norte americano
Ryan “Relentless” Raes.
Por volta de 21h, a casa já estava lotada e o público estava
cada vez mais ansioso, ovacionando o nome da atração principal, Brujeria! Não demora nada para as luzes se apagarem e
de repente, ecoa a icônica introdução de “Raza Odiada (Pito Wilson)”, narrada
pelo genial Jello Biafra (ex-Dead Kennedys), que apesar de não mais integrar a
banda, foi um de seus membros iniciais. Assim que se iniciam os arranjos
iniciais da primeira música do “setlist”, a casa treme e todos os presentes
agitam descontroladamente.
Quem é fã da banda sabe que o grupo não conta com uma
formação fixa, tanto que alguns dos músicos que estavam presentes na
apresentação não participaram das gravações dos três álbuns de estúdio da
banda, porém integram o grupo há algum tempo, seja em estúdio ou em shows. Nessa
passagem pelo Brasil, vieram o baixista El Cynico (Jeff Walker, do Carcass), o
guitarrista Aa Kuernito (Chris Paccou, do Hicks Kinison), o baterista Hongo Jr.
(Nicholas Barker, do Lock Up), o vocal El Sangron, no lugar de Fantasma e a
vocalista Pititis, que veio ao país pela primeira vez.
O show prossegue com outro clássico mortal do álbum “Raza
Odiada” (1995), “Colas de Rata”. A casa ficou semelhante a uma lata de sardinha
no início da apresentação dos músicos, tamanha a loucura que se tornou a pista
da Clash Club. O “mosh pit” estava realmente insano! Após uma breve pausa, os
vocalistas El Sangron e Juan Brujo iniciam um diálogo que é conhecido por
qualquer fã da banda que se preze:
“Cunto quiere ese coyote?”, indaga Brujo. El Sangron
responde, junto com todos os presentes “Diez mil pesos”. Brujo faz um ar de
ironia e diz “Pa todos?”. Sangron, acompanhado pelo público, responde “No,
Jefe, Pa cada uno”. Brujo faz uma breve pausa e em seguida agarra o microfone
com as duas mãos e em voz gutural urra “Pinch coyote ladron, hay que joder al
guey”. E dá-lhe “La Migra (Cruza La Frontera II)”, um dos maiores sucessos da
carreira do grupo. Se a casa estava um caos, naquele momento a balbúrdia
alcançou um nível de proporções estratosféricas... No melhor sentido da
palavra, é claro! Todos cantaram e agitaram sem parar! Sem comentários.
O “groove” matador de “La Migra (Cruza La Frontera II)” dá
sequência a apresentação com louvor. Em seguida, a banda interage com o público
e apresenta a vocalista Pititis. A música seguinte não poderia ser outra, a não
ser “Pititis, Te Invoco”, de “Brujerizmo” (2000). A vocalista, ainda que
cantasse e urrasse apenas alguns versos da composição, demonstrou bastante
animação, além de ter sido bastante carismática com a plateia. Ainda do álbum
“Brujerizmo”, tivemos a ótima “Vayan Sin Miedo” e a veloz e destruidora “El
Desmadre”.
A banda dá continuidade a apresentação com “Angel de la
Frontera”, que é sucedida pelo hino “Marcha de Odio”, composição que sempre que
é tocada é recebida calorosamente por todos. O grupo faz uma pequena pausa e
explicam que a próxima música tem a ver com o guitarrista Hongo (Shane Emburry,
do Napalm Death, Venomous Concept, Lock Up e tantos outros), que por sinal não
acompanhou a banda nessa turnê, muito provavelmente pelo fato do Napalm Death
estar excursionando também. E dá-lhe “Satongo”, uma música que não se encontra
registrada em nenhum material da banda até o momento.
Dando sequência ao show, o grupo executa mais dois sons de
seu terceiro álbum de estúdio, a cadenciada “Sida de La Mente” e claro, a
clássica “Brujerizmo”, canção que também é presença obrigatória nas
apresentações dos músicos. Assim que os “riffs” de “Brujerizmo” entraram em
cena, o público ficou ainda mais empolgado, cantando cada verso ao lado da
banda. A composição seguinte também já é bem conhecida do grande público, em
especial por ter sido uma resposta da banda ao ex-integrante do grupo, Asesino
(Dino Casares, do Fear Factory, Divine Heresy e Asesino), que deixou a banda em
meados de 2005. A música em questão é a divertidíssima e igualmente suja e
violenta “No Aceptán Imitaciones”, faixa
que integra a compilação “Obscene Extreme 2011”, coletânea que traz músicas de
diversas bandas de Metal Extremo que tocaram na edição de 2011 do festival Obscene
Extreme.
El Sangron pergunta ao público se gostam da canção
“Anti-Castro” e todos respondem em uníssono que sim. E dá-lhe mais pancadaria!
“Revolución” é executada na sequência e é novamente recebida com perfeição. Uma
das coisas mais legais que ocorreu durante a execução dessa música foi o fato
de Brujo levantar a bandeira do Brasil e vesti-la sobre seus ombros e costas
enquanto cantava. O “riff” grudento de “División del Norte” entra em cena e
convida todos a continuarem com a destruição. O público continuava agitando sem
parar, dando diversos “stage divings” e cantando com intensidade os versos da
música. Tal qual na execução da música anterior, Brujo continuou cantando com a
bandeira de nosso país apoiada em seu corpo.
Mais duas canções de “Raza Odiada” foram executadas na
sequência, “Consejos Narcos” e a clássica “La Ley de Plomo”. Infelizmente a
apresentação da banda estava chegando ao fim e Brujo diz que irão tocar a
última música da noite e que seria o maior clássico do Brujeria. É claro que estamos
falando de “Matando Güeros”, composição do álbum homônimo de 1993, que encerrou
a apresentação como sempre de forma apoteótica. Após o término da apresentação,
o público clamava por mais, é claro. O vocalista Juan Brujo demonstrava estar
muito feliz com a recepção da plateia, ainda que dissesse que não teriam como
tocar outros sons. “¡Lo siento!”, ele diz. Além disso, também vale a pena
comentar sobre quando Pititis jogou os “setlists” do show para o público que
gritava mais alto.
Peso, devastação, muita loucura, energia e diversão. Esses
são alguns dos muitos argumentos que podem definir a apresentação do Brujeria
na segunda-feira de 16 de maio. Certamente mais um grande show realizado pelos
veteranos em terras brasileiras. Que a banda retorne para cá muitas e muitas
vezes, pois os fãs certamente irão agradecer muito!
“¡¡¡VIVA MEXICO, CABRON !!!!”
Setlist:
01. Raza Odiada (Pito Wilson)
02. Colas de Rata
03. La Migra (Cruza La Frontera II)
04. Hechando Chingasos (Greñudos Locos II)
05. Pititis, Te Invoco
06. Vayan Sin Miedo
07. El Desmadre
08. Angel de la Frontera
09. Marcha de Odio
10. Satongo
11. Sida de la Mente
12. Brujerizmo
13. No Aceptán Imitaciones
14. Anti-Castro
15. Revolución
16. División del Norte
17. Consejos Narcos
18. La Ley de Plomo
19. Matando Güeros
Banda:
Juan Brujo (Juan Lepe) (Vocal)
El Sangron (Vocal)
Pititis (Gabriela Dominguez) (Vocal)
Aa Kuernito (Chris Paccou) (Guitarra)
El Cynico (Jeff Walker) (Baixo)
Hongo Jr. (Nicholas Barker) (Bateria)
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