Três anos sem vir para o Brasil e após ter lançado “Archangel”,
o seu décimo e ótimo trabalho de estúdio no segundo semestre do ano passado, o
Soulfly retorna a terras brasileiras para promover o registro e certamente a
expectativa para as apresentações em solo tupiniquim eram altas. Após terem
tocado em Florianópolis, Rio de Janeiro, Fortaleza e Ribeirão Preto, Max
Cavalera e sua trupe rumaram para São Paulo, mais especificamente para o Áudio
Club, casa de shows localizada na região da Barra Funda.
Se a expectativa em assistir a banda já era alta por si só,
isso aumentou ainda mais quando Max anunciou em rede nacional, no programa The
Noite, exibido em 06/04, pela emissora de TV aberta SBT que o evento contaria
com um “Meet & Greet” no período da tarde e que todos os presentes poderiam
tirar fotos e pegar autógrafos com o “frontmen”. No início da tarde de 10/04, um domingo, uma
fila se aglomerava na porta do Áudio Club, ensandecida em conhecer Max
Cavalera, mesmo que por alguns poucos segundos, dada as circunstâncias de que o
músico teria que atender uma quantidade muito grande de fãs. Em poucas
palavras, devo dizer que achei a iniciativa muito boa e de fato não foi nada
burocrática, uma vez que não foi cobrado um único centavo para os fãs tirarem
fotos e pegarem autógrafos com Max, muito pelo contrário.
No início da tarde, a casa foi lotando cada vez e a banda de
abertura, Project 46, realizou uma breve passagem de som, até finalmente
subirem ao palco para dar início ao evento algumas horas depois. Ainda que seja
uma banda relativamente recente, o grupo já conserva uma legião admirável de
fãs que realmente apreciam o seu trabalho. Particularmente, não sou um
apreciador dessa sonoridade Metalcore e que preenche todos os sons com doses
cavalares de “breakdowns”, no entanto, sou obrigado a dizer que a banda possui
muito potencial e faz um show muito energético e performático. Já havia
assistido a banda ao vivo em outra ocasião e posso dizer isso com total
convicção.
Algum tempo depois, é hora da atração principal subir ao
palco e incendiar a casa por completo. Max Cavalera e seu Soulfly sobem ao
palco, ovacionados por todos os presentes. A casa veio abaixo nos primeiros
acordes de “We Sold Our Souls to Metal”, som que é responsável por abrir o
trabalho mais recente da banda e que dá início ao show. A banda já utiliza essa
composição como abertura de suas apresentações dessa turnê e é sem sombra de
dúvidas uma escolha em tanto, pois essa música já nasceu um hino da banda e do
Metal. Na sequência, o clima continua intenso e poderoso com a execução de
“Archangel”, a faixa título do novo disco. A apresentação prossegue com “Ishtar
Rising”, mais uma do novo álbum e a magnífica “Blood Fire War Hate”, faixa de
abertura do ótimo “Conquer” (2008), que conta com a participação de David
Vicent (ex-Morbid Angel) nos vocais. Impossível ficar indiferente a um som cuja
abertura é completamente épica e cujos “riffs” são simplesmente viciantes. É
muito importante mencionar também a “performance” de todos os músicos da banda.
O guitarrista Marc Rizzo mandou muito bem, sempre técnico, preciso e
carismático na medida certa. Por sua vez, o baixista Mike Leon, que substituiu
Tony Campos, é dono de uma presença de palco bastante vigorosa e demonstrou ser
uma excelente adição ao grupo, tocando o seu instrumento com exímio e o
baterista Kany Loura, que tocou no lugar de Zyon Cavalera, também executou com
perfeição o seu trabalho.
A incrível “Carved Inside”, do fantástico álbum “Dark Ages”
(2005) e a dobradinha de sons do Sepultura “Refuse/Resist” e “Territory”, ambas
do atemporal “Chaos A.D. (1993) vieram na sequência, fazendo a festa e levando
todos à loucura. Todos cantaram e “banguearam” em cada som executado e os “mosh
pits” rolavam soltos, como já é de praxe! Outro som de “Archangel” deu as
caras, a porrada “Sodomites”, seguida da mortal “Master of Savagery”, do
violento “Savages” (2013). Destaque absoluto para o fim da execução desse som.
Quando Max estava prestes a urrar o nome da faixa, a banda e ele emendam com o
refrão e versos finais do hino do Metallica “Master of Puppets”, causando
risadas em muitos dos presentes e tornando a apresentação ainda mais marcante e
divertida. Dizer que Max Cavalera é uma figura carismática é chover no molhado,
contudo, surpresas como essa merecem ser mencionadas sem a menor dúvida!
Os “riffs” iniciais de “Prophecy” entram em cena e convidam
todos a agitarem mais uma vez e urrarem o refrão a plenos pulmões. O “groove”
contagiante de “Seek ‘N’ Strike” faz com que o clima da apresentação permaneça
devastador, assim como a sensacional “Babylon”. Em seguida, temos “Tribe”, que
contou com uma “jam” da banda tocando um “reggae” apelidado por Max de o “reggae”
do Soulfly, fazendo todos caírem na gargalhada! A pancadaria é retomada com a
execução sempre brutal do “medley” “Arise” / ”Dead Embryonic Cells”
(Sepultura). Os presentes devastaram tudo, abrindo rodas insanas. Como disse,
sempre que esse “medley” é executado a brutalidade come solta!
A banda retoma a apresentação com “No Hope = No Fear”, cujo
final é emendado com o “cover” que o grupo realizou para a música de Jorge Ben
Jor “Umbabarauma”. Max sempre teve o dom de mesclar sons que normalmente fazem
muitos apreciadores da música pesada torcerem o nariz e isso pôde ser
comprovado com a execução desse som, que ainda que tenha soado deslocado com
relação as outras composições, foi muito bem aceito por todos os presentes, que
cantaram e acompanharam a execução do som com muita satisfação.
Não é de hoje que Max está com fama de ter se tornado um
músico de estúdio e que não toca mais nada ao vivo. Muitos alegam que ele está
deixando apenas o seu braço direito das 06 cordas, Marc Rizzo, fazer o
trabalho. Devido a essa chacota que assola principalmente as redes sociais e a
Internet, o músico tem reservado cerca de dois ou três minutos de seus shows
mais recentes do Soulfly apenas para apresentações solos dele tocando “medleys”
de clássicos do Rock/Metal e claro, sons do Sepultura. A ideia foi calar a boca
das pessoas que fazem piadas com ele e aparentemente, essa ideia foi muito bem
sucedida, como se pôde ver durante a apresentação realizada em São Paulo.
Max fez um pequeno “medley” tocando os “riffs” principais de
“Iron Man” e “Electric Funeral”, do Black Sabbath. Sem perder o jeito, também
tocou e cantou uma pequena parte do trecho inicial de “Orgamastron”, que apesar
de ser uma composição do Motörhead, ficou imortalizada como uma grande
releitura produzida nos tempos em que ainda integrava o Sepultura, assim como
“Polícia”, dos Titãs”, que foi tocada logo em seguida. Falando em Sepultura,
eis que Max toca os “riffs” de “Escape to the Void”, presente no clássico
“Schizophrenia” (1987), além de “Desperate Cry”, do matador “Arise” (1991) e
“Troops of Doom”, do maníaco “debut” “Morbid Visions” (1986). Pouco após Max
tocar as notas iniciais dessa última, a banda retornou ao palco e juntos,
tocaram esse hino devastador na íntegra.
Implacável que só, “Frontlines” foi responsável por fazer
muitos dos presentes se “arrebentarem” ainda mais no “mosh”. Sempre bem
humorado, Max uniu o final da canção com o refrão marcante de “Walk”, do
Pantera. Chegou a vez de “Back to the Primitive” ser tocada e novamente tivemos
uma energia contagiante no ar, com todos os presentes pulando, “bangueando” e
gritando “PRIMITIVE!!!”. Eis que Max pede para os presentes ovacionarem o nome
de seu irmão, Iggor Cavalera e quando menos esperávamos, lá estava o baterista,
que subiu ao palco para tocar duas músicas com a banda e dá-lhe “Roots Bloody
Roots”, som que, não importa quanto tempo passe, sempre soará muito poderoso e
energético ao vivo. A composição seguinte foi nada mais nada menos que “Ace of
Spades”, do Motörhead, que foi dedicada ao
infelizmente recém falecido Lemmy Kilmister, “frontmen” dessa verdadeira
lenda do Rock/Metal. Além de contar com Iggor nas baquetas, o “cover” também
contou com a participação do vocalista Baffo Neto, do Capadócia, dividindo a
voz com Max.
O final da apresentação estava próximo e como de costume, a
banda mandou o “medley” “Jumpdafuckup / Eye for an Eye”, que como sempre, foi
tocada de forma extremamente potente e foi muito bem recebida pelos presentes.
Outra surpresa ocorreu poucos minutos do show realmente se encerrar, quando Max
deixou o palco e a banda executou os arranjos iniciais de “The Trooper”, do
Iron Maiden, que ainda que não tenha sido tocada na íntegra, serviu para
encerrar a apresentação de forma inusitada e bastante satisfatória. Como já era
esperado, o Soulfly realizou outra grande apresentação em solo brasileiro,
recheada de clássicos, além das novas e ótimas composições. Que venham cada vez
mais para cá e nos brindem com mais apresentações impecáveis como essa!
“I am what I create, believing in my fate.
Integrity is my name!
All that I am doing can never be ruined.
My song remains insane!
Eye for an eye!
Eye for an eye!
Eye for an eye!
Eye for an eye, for an eye, for an eye!”
Setlist:
We Sold Our Souls to Metal
Archangel
Ishtar Rising
Blood Fire War Hate
Carved Inside
Refuse/Resist (Sepultura cover)
Territory (Sepultura cover)
Sodomites
Master of Savagery / Master of Puppets (Metallica cover)
(Apenas o refrão e o verso final)
Prophecy
Seek ‘N’ Strike
Babylon
Tribe
Arise / Dead Embryonic Cells (Sepultura cover)
No Hope = No Fear / Umbabarauma (Jorge Ben Jor cover)
Medley: Iron Man (Black Sabbath) / Electric Funeral (Black
Sabbath) / Orgasmatron (Motörhead) / Polícia (Titãs) / Escape To The Void
(Sepultura) / Desperate Cry (Sepultura) / Troops Of Doom (Sepultura)
Frontlines / Walk (Pantera cover) (Apenas o refrão)
Back to the Primitive
Roots Bloody Roots (Sepultura cover) (Com Iggor Cavalera)
Ace of Spades (Motörhead cover) (Com Iggor Cavalera e Baffo
Neto)
Jumpdafuckup / Eye for an Eye
The Trooper (Iron Maiden cover) (Sem Max e apenas o verso
inicial e sem vocais)
Banda:
Max Cavalera (Guitarra / Vocal)
Marc Rizzo (Guitarra)
Mike Leon (Baixo)
Kany Loura (Bateria)

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