Bodhum - "Sobre Homens e Porcos" (2018)


 (The Grind Records)

O grindcore é um estilo, assim como diversos dentro do vasto universo da música pesada, apenas ganha mais notoriedade a cada dia. Aqui no Brasil, podemos citar nomes como Facada, Desalmado, Hutt, Expurgo, Test e D.E.R. como fortes representantes dessa vertente anti-musical e, dentro dessa premissa, também temos o Bodhum, banda oriunda do Rio de Janeiro e que possui em sua formação Marcus (vocal), Rômulo (guitarra), Luiz (baixo) e Vinícius (bateria). 

Após lançar os EPs "Extremo" (2010), "Consórcio da Morte" (2012) e "Causa Mortis" (2013), o quarteto retorna com seu primeiro full length, "Sobre Homens e Porcos", lançado em novembro desse ano. Produzido pela banda em parceria de Alex Zech e gravado, mixado e masterizado por Zech no Mach86 Home Studio, o debut do grupo possui 17 faixas massacrantes que emanam o grindcore em seu estado mais primitivo e visceral.

A instrumental "Inferno" é a pedrada que abre o disco e funciona como um belo convite para o massacre anti-musical que está prestes a começar. Trazendo uma letra que crítica de forma árdua o nosso país, "Brasil" é uma pedrada direto na fuça. Os riffs trazem notórias influências de thrash e death metal, enquanto a "cozinha" e os vocais promovem o caos com perfeição. Enquanto isso, "Desgosto" começa de forma ligeiramente progressiva e rapidamente descamba num deathgrind pra nenhum fã de música extrema botar defeito. "Putin", por sua vez, tem uma pegada naturalmente energética e perfeita para um bom moshpit. 

Já a quinta faixa, "Pornografia", traz uma letra que é uma ode a libertinagem e a pornografia em si e a composição é outro arregaço, dotada de riffs afiadíssimos. Mantendo a destruição ininterrupta, "Cultura Genocida" mantém os mesmos elementos das faixas anteriores, sabiamente distribuídos ao longo de seus quase dois minutos de duração. Destaque para seu final explosivo e instigante. 

Riffs energéticos e convidativos introduzem ao ouvinte "Crust / Abismo". Sua primeira metade é perfeita para promover uma dança violenta no moshpit e também para "banguear" sem parar. Já sua segunda metade é um grind repulsivo e indecente, que ainda conta com uma letra niilista e bastante apropriada. Originalmente presente em "Causa Mortis", "E.N.T." é uma pedrada que mescla um ritmo virtiginoso com um certo balanceamento e groove, tudo conduzido de modo interessante e bem feito, mais uma vez enfatizando as influências externas de thrash e death metal. A faixa título, em contrapartida, é um deathgrind simples, direto, veloz e certeiro, perfeito para se acabar na roda. 

Começando com arranjos ligeiramente groovados, "Fio da Navalha" rapidamente descamba num grindcore frenético e Old School. Outra pérola irrepreensível! Ainda mais caótica e colérica, "Foda-se" destrói tudo com seus blast beats e levada absolutamente insana e crua. A faixa seguinte, "Homicida", faz juz ao seu título e é outro massacre sonoro daqueles. 

Na sequência, temos mais uma instrumental, "Swedish Summer", faixa perfeita para "banguear". O final do registro conta com a destruidora "Tsunami Nuclear" e com as regravações de "I.M.L." e "Excesus Ipsum", presentes no EP "Causa Mortis" e "Extremo", presente no primeiro EP da banda.

"Sobre Homens e Porcos" é uma compilação matadora de 17 pedradas viscerais que farão a festa dos apreciadores de grindcore e anti-música de plantão. Material altamente recomendado para fãs de nomes como Napalm Death, Repulsion, Terrorizer, Extreme Noise Terror, Facada, Desalmado e Expurgo. Imperdível!

Integrantes:
Marcus (vocal)
Rômulo (guitarra) 
Luiz (baixo) 
Vinícius (bateria)

Faixas:
1. Inferno
2. Brasil
3. Desgosto
4. Putin
5. Pornografia
6. Cultura Genocida
7. Crust / Abismo
8. E.N.T.
9. Sobre Homens e Porcos
10. Fio da Navalha
11. Foda-se
12. Homicida
13. Swedish Summer
14. Tsunami Nuclear
15. I.M.L.
16. Excesus Ipsum 
17. Extremo 

Redigido por David "Fanfarrão" Torres

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