Liberation Fest 2018 - Audio - São Paulo - 17/11/2018


A edição desse ano do Liberation Fest trouxe duas atrações headliners de muito peso: Arch Enemy (Suécia) e Kreator (Alemanha). O festival intinerante passou por cinco cidades brasileiras, sendo elas Porto Alegre (RS), Fortaleza (CE), Manaus (AM), Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP). Aqui na capital paulista o evento contou também com a presença da banda nacional Genocídio e das estadunidenses Excel e Walls of Jericko e como podem imaginar, um evento de proporções como essas foi extremamente aguardado por todos e as expectativas certamente foram atendidas conforme falaremos mais adiante. 

O local escolhido para o festival em São Paulo foi a casa de shows Audio, localizada na região da Barra Funda. A abertura da casa ocorreu às 17h e pouco antes já era possível ver uma vasta quantidade de fãs trajando camisetas com estampas das bandas que tocariam naquela noite. Além disso, como de costume, tanto a produtora como as bandas disponibilizaram seus merchandising oficiais, incluindo itens como camisetas e o pôster e copo oficial do evento. 

Por volta das 18h, tem início a primeira atração, a banda paulistana de death metal Genocídio. Promovendo o seu mais recente trabalho, "Under Heaven None" (2017), Wanderley Perna (baixo), Murillo Leite (vocal/guitarra), Rafael Orsi (guitara) e Gil Oliveira "Necromesis" (bateria) realizaram uma apresentação curta, mas muito competente e que certamente cumpriu muito bem o seu papel.


Às 18h45 é hora do crossover thrash californiano do Excel dar continuidade ao evento. Ainda que desconhecidos por boa parte do público, Shaun Ross (baixo), Dan Clements (vocal), Greg Saenz (bateria) e Alex Barreto (guitarra) proporcionaram uma ótima aula dentro do estilo que praticam, arrebentando com sons como "Wreck Your World", "Your Life, My Life", "Split Image", essa dedicada às pessoas de São Paulo, "Insecurity", "I Never Denied", "Shadow Wings", "Spare the Pain" e "The Joke's on You". O vocalista Dan Clements enfatizou que era muito bom voltar a São Paulo pela segunda vez, desde 2014 e emitiu agradecimentos a todos. Vale mencionar que os primeiros moshpits da noite rolaram no show da banda, ainda que tímidos, já que boa parte do público desconhecia o trabalho do grupo. Ainda assim, os fãs ali presentes agitaram incessantemente durante toda a apresentação.


Dando continuidade ao festival, cerca de 19h50 foi a vez dos estadunidenses do Walls of Jericho mandaram o seu metalcore visceral. Infelizmente a banda não pôde se apresentar no Rio de Janeiro devido a uma tempestade de neve que causou o cancelamento de centenas de voos na Costa Leste dos Estados Unidos, impossibilitando a vocalista Candace Kucsulain de se deslocar até lá. Apesar disso, o show realizado pela banda em São Paulo foi altamente energético e brutal. O peso da arrasa-quarteirão "Relentless" abriu a apresentação da melhor maneira possível. Candace Kucsulain (vocal), Chris Rawson (guitarra), Mike Hasty (guitarra), Dustin Schoenhofer (bateria), Aaron Ruby (baixo) fizeram o público promover mosh/circle pits insanos ao sons de "All Hail The Dead", "No One Can Save You From Yourself", "Forever Militant", "A Little Piece of Me", "Playing Soldier Again", "I Know Hollywood and You Ain't It", "A Trigger Full of Promises", "Feeding Frenzy", "A Day and a Thousand Years", "The American Dream" e "Revival Never Goes Out of Style". Outra performance de muita qualidade!


Minutos antes das 21h, o hino "Ace of Spades" (Motörhead) ecoa pelos P.A.'s, deixando os fãs dos suecos do Arch Enemy cada vez mais ansiosos pela apresentação da banda melodic death metal. Então, às 21h, ecoa a introdução "Set Flame to the Night" e logo após, Michael Amott (guitarra), Daniel Erlandsson (bateria), Sharlee D'Angelo (baixo), Jeff Loomis (guitarra) e Alissa White-Gluz (vocal) entram em cena, mandando "The World Is Yours", de "Will to Power" (2017). O repertório prossegue com "Ravenous", de "Wages of Sin" (2001), "Stolen Life" e "War Eternal", ambas de "War Eternal" (2014) e "My Apocalypse", de "Doomsday Machine" (2005). O público canta as letras e agita sem parar em todos os sons, sempre respondendo muito positivamente à performance da banda. A frontwoman Alissa White-Gluz pode não ser Angela Gossow, mas se empenha ao máximo, sempre andando de um lado para o outro do palco e interagindo com o público. 


Após tocarem as cinco primeiras músicas do set, Alissa agradece a presença de todos e faz uma menção especial ao Kreator, outro nome muito aguardado da noite. Em seguida, anuncia mais um som de "Will to Power", "The Race". Na sequência, ainda temos "You Will Know My Name", "Blood on Your Hands" e "Intermezzo Liberté", ambas de "Rise of the Tyrant" (2007), "The Eagle Flies Alone", "First Day in Hell", "As the Pages Burn", "Dead Bury Their Dead" e "We Will Rise", de "Anthems of Rebellion" (2003). O final da apresentação ficou reservado para "Avalanche", um solo de guitarra de Jeff Loomis, "Snow Bound", "Nemesis" e um pequeno trecho de "Fields of Desolation", de Black Earth" (1996), que encerrou a apresentação de forma mais que satisfatória. 


Finalmente, às 23h, era hora dos veteranos do thrash metal do Kreator iniciarem sua apresentação. A introdução "Mars Mantra" ecoa pelas caixas de som e então, Ventor (bateria), Mille Petrozza (vocal/guitarra), Christian "Speesy" Giesler (baixo), Sami Yli-Sirniö (guitarra) surgem no palco para tocar "Phantom Antichrist", faixa título do álbum lançado em 2012. Durante esse som houve uma curta interferência, mas felizmente nada que comprometesse a performance dos músicos. Na sequência veio "Hail to the Hordes", representando o mais recente trabalho do quarteto, "Gods of Violence" (2017). Antes de tocarem a próxima música, o frontman Mille Petrozza diz que se recorda que o moshpit brasileiro é um dos maiores que existe e então anuncia "Enemy of God", pedrada do álbum homônimo de 2005. O moshpit devasta tudo na pista nesse momento.


"Satan Is Real" e "Civilization Collapse" dão sequência a apresentação, assim como a clássica "People of the Lie", de "Coma of Souls" (1990). "É hora de levantar a bandeira do ódio!", entoa Petrozza, empunhando a icônica bandeira. Antes de tocarem o hino "Flag of Hate", o frontman prepara o público do moshpit para um wall of death. Quando esse clássico é executado, o caos toma conta da pista de forma absolutamente colérica. Por sua vez, direto de "Outcast" (1997), "Phobia" mantém o clima eufórico da apresentação, com os presentes agitando e cantando a letra da composição. 


Mesmo se tratando de composições mais recentes do vasto catálogo da banda, "Gods of Violence" e "From Flood Into Fire" foram recebidas calorosamente por todos. Petrozza menciona que fazem cinco anos desde o último show em São Paulo e então pergunta a todos como se sentem, recebendo uma resposta muito positiva. O músico faz agradecimentos gerais e já emendam com "Hordes of Chaos (A Necrologue for the Elite)". Serpentinas caem do teto da pista Premium nesse momento. Vale citar que em músicas anteriores confetes também caíram do teto, dando um ar mais teatral para a apresentação. 


Logo em seguida, é a vez de "Fallen Brother", dedicada a Dimebag Darrell (1988 – 2004) e Vinnie Paul (1964 – 2018). O encore conta com os hinos "Violent Revolution" e "Pleasure to Kill", que encerram a apresentação de maneira apoteótica, em especial essa última música, cujas execuções ao vivo são sempre um arregaço daqueles. O Kreator ao vivo é uma banda tão impecável e afiada quanto em estúdio e a única crítica que faço é a da banda ter priorizado tantas músicas de seu catálogo mais atual e ter deixado de lado clássicos indispensáveis como "Extreme Aggression", "Betrayer", "Riot of Violence" e "Tormentor". As novas composições são realmente impecáveis, porém deixar de lado tantos clássicos chega a ser uma heresia. 

Ao término do festival, todos estavam exaustos, mas completamente satisfeitos com os shows que assistiram. Todas as bandas mandaram o seu recado com perfeição, cada uma em sua respectiva proposta. A única ressalva que tenha é com relação ao horário de término do evento, que se deu por volta de 00h30, algo que certamente dificultou a volta para casa de muitos. No mais, a Liberation Music Company está mais uma vez de parabéns pelo evento maravilhoso que proporcionou e que venham muitas outras edições, sempre recheadas de grandes bandas e estilos distintos dentro do rock/metal. Certamente ficaremos no aguardo!

Redigido por David "Fanfarrão" Torres

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