SP Rock Show - Vale do Anhangabaú - São Paulo - 25/11/2018


Organizado pela Secretaria Municipal de Cultura, a primeira edição SP Rock Show foi um evento gratuito ocorrido no Vale do Anhangabaú, em São Paulo no último domingo (25), que contou com a presença de cinco bandas, das quais a principal atração foi ninguém mais ninguém menos que o Sepultura, a maior banda de metal brasileira. Além do grupo veterano de Minas Gerais, o evento contou com a presença das bandas paulistanas PAD, Eutenia, Pomparças e Pavilhão 9. Nem mesmo o tempo relativamente chuvoso impediu o público de comparecer em peso. A seguir vamos falar mais detalhadamente sobre o que rolou nesse pequeno fest. 



Com previsão de início por volta das 14h, houve um atraso considerável e as bandas foram começar a tocar mesmo somente à partir das 16h30. Marcello Pompeu (Korzus) sobe ao palco para um breve discurso, onde pede para todos os presentes se portarem de forma civilizada e se respeitarem, bem como para que nenhum episódio de violência ocorra. Dito isso, a primeira banda a se apresentar é o PAD, grupo composto por Marcos Kleine (guitarra), Fabio Noogh (vocal), Thiago Biasoli (bateria), Will Oliveira (baixo), Leandro Pit (guitarra) e Rodrigo Simão (teclado). O sexteto manda um pop rock com letras cantadas em português e mandou a sua proposta de modo bastante profissional, cativando até mesmo alguns dos presentes que desconheciam a banda. 


Por volta das 17h40, foi a vez do Eutenia mandar o seu metalcore também cantado em português. Formado por Andre Navacinsk (vocal), Diego Inhof (guitarra/piano), Bruno Ricardi (guitarra), André Perucci (baixo), Jon Levischi (bateria), a banda pode até não ter agradado a todos, mas foi responsável por fazer uma parte dos presentes promoverem as primeiras rodas do evento. 


Já às 18h45 foi a vez do vocalista Marcello Pompeu e cia. brindarem a todos com covers de clássicos do rock/metal com o Pomparças. A banda mandou releituras de "Highway to Hell" (AC/DC), "Breaking the Law" (Judas Priest), "War Machine" (Kiss), "Blitzkrieg Bop" (Ramones), "We're Not Gonna Take It" (Twisted Sister), "South of Heaven" e "Raining Blood" (Slayer). Os dois últimos covers merecem uma menção especial graças ao público do moshpit, que devastou tudo nesse momento.


Aproximadamente 19h30 foi a vez dos veteranos do Pavilhão 9 mandarem o seu rap/rock contundente. Rhossi (vocal), Doze (vocal), Juninho (baixo), Leco Canali (bateria), Rafael Bombeck (guitarra) e DJ MF promovem atualmente o seu mais recente trabalho, "Antes Durante Depois" (2017), álbum de retorno da banda e realizaram uma apresentação irrepreensível. 

As novas "Antes Durante Depois" e "Tudo por Dinheiro" abrem o show de forma explosiva, ganhando o público com facilidade. "Quem gosta de hardcore?", pergunta Rhossi antes de apresentar "Grito de Liberdade", composição de "Cadeia Nacional" (1997). Após mandarem esse som, o vocalista declara que é uma satisfação dividir o palco com o Sepultura e as demais bandas. Representando o disco "Reação" (2001), "Trilha do Futuro" fez os presentes agitarem ainda mais. Depois, mandaram mais duas novas, "Acredita Não Duvida" e Número 1", que também surtiram efeito no público.

A clássica "Opalão Preto" foi tocada na sequência e após ela, Rhossi faz uma breve crítica a todos os políticos corruptos. Nesse momento rolou o coro "Ei, Lula! Vai tomar no cu!". Logo após, foi a vez da também nova "Os Guerreiros", que foi sucedida por "Execução Sumária", de "Se Deus Vier, Que Venha Armado" (1999). Nesse momento, Rhossi pediu para os presentes representarem na roda e claro que tal pedido foi atendido. O final ficou reservado para "Vai Explodir" e "Mandando Bronca", que encerraram a apresentação do grupo com chave de ouro e muita competência. De ponto negativo somente as brigas que estavam rolando entre a multidão, infelizmente.


Finalmente, aproximadamente às 20h50 era hora da atração headliner subir ao palco: Sepultura! Ao som da introdução "The Curse", do EP de estreia do grupo "Bestial Devastation" (1985), Paulo Jr. (baixo), Andreas Kisser (guitarra), Derrick Green (vocal) e Eloy Casagrande (bateria) entram em cena já mandando a pedrada de Old School death metal "Bestial Devastation". Todos vão ao delírio e o moshpit se demonstra incrivelmente bruto e tão visceral quanto a música em si. Esse foi um show especial, na qual a banda tocou em ordem cronológica sons de todos os seus álbuns e tal expectativa foi atendida com sucesso.


O hino "Troops of Doom" veio para representar o histórico primeiro álbum da banda, "Morbid Visions" (1986), enquanto a furiosa "Escape to the Void" foi tocada para relembrar "Schizophrenia" (1987). Logo em seguida, vieram "Beneath the Remains", do álbum homônimo de 1989, "Dead Embryonic Cells", de "Arise" (1991), "Territory", de "Chaos A.D." (1993) e "Attitude", de "Roots" (1996), encerrando as composições da fase inicial do grupo.

Após tocarem a primeira parte do set, o guitarrista Andreas Kisser agradece a presença de todos e menciona que nesse ano fazem duas décadas que o vocalista Derrick Green está na banda. Nessa hora muitos fãs ovacionam "Fumaça! Fumaça!", que é o apelido do músico estadunidense. Então, Kisser anuncia que tocarão duas músicas de "Against", álbum de estréia de Derrick. E dá-lhe "Against" e "Choke", que são recebidas muito positivamente por todos.


Derrick troca algumas palavras em português com os fãs e introduz "Sepulnation", do álbum "Nation" (2001). Em seguida, o vocalista pede para moshpit ser aberto e então a banda manda "Corrupted", de "Roorback" (2003). Na sequência ainda temos "False", de "Dante XXI" (2006), "What I Do", de "A-Lex" (2009), "Kairos", do disco homônimo de 2011 e "The Vatican", de "The Mediator Between Head and Hands Must Be the Heart" (2013). O show infelizmente está chegando ao fim e a banda anuncia "Roots Bloody Roots", que encerra a performance de modo apoteótico, como sempre. Um detalhe é que haviam mais músicas no setlist, mas especificamente "Phantom Self", do recente "Machine Messiah" (2017), "Arise", "Refuse/Resist" e "Ratamahatta", porém infelizmente foram cortadas.

Como em boa parte dos eventos gratuitos que vemos por aí, infelizmente ocorreram problemas como arrastão e brigas desnecessárias entre os presentes durante as apresentações, mas como dizem, bola pra frente. Por outro lado, olhando pelo lado positivo da coisa, foi um evento que contou com apresentações de qualidade por parte de todas as bandas e no final das contas isso é o que realmente importa. Parabéns aos envolvidos e que venham muitas outras edições do SP Rock Show!

Redigido por David "Fanfarrão" Torres




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