Após duas edições bem sucedidas, no último domingo (06), rolou o terceiro ato do Hardcore Contra o Fascismo em São Paulo, evento que visa combater a crescente onda de fascismo que assola o nosso país. O ato contou com a presença das bandas Bernie, Dinamite Club, Mar Morto, Blackjaw, Escombro e Surra. Cada banda tocou três músicas e as apresentações foram intercaladas com pequenos e incisivos discursos.
Desde que o evento teve início, foi enfatizado de que se tratava de um ato político e não meramente um show ou evento musical. A primeira banda a se apresentar foi o Bernie, grupo de hardcore punk de São Paulo formado por Morts Balburdia (vocal), Fernando (guitarra), Jony (guitarra), Gus (baixo) e Beto (bateria). Na sequência, tivemos um discurso muito engajado de Blossom (Good Intentions), que pontuou coisas muito importantes, dentro elas que hardcore não é música e sim, política. Acrescentou dizendo que quem discordava poderia ir embora.
Em seu discurso, contextualizou o fascismo detalhadamente, indo desde o seu surgimento na Itália do Século XXI até os dias atuais, ressaltando inclusive a importância de termos cuidado não apenas com o atual presidente Jair Messias Bolsonaro como também com o ministro da Economia Paulo Guedes, cujo projeto proto-fascista é caracterizado, principalmente, pela subordinação aos Estados Unidos, pelo retorno a uma economia rentista, pela economia retornando aos corredores de exportação e também pela exportação de bens primários.
Blossom ainda traçou um paralelo muito interessante ao dizer que Bolsonaro caiu como uma luva para a burguesia que desaprova qualquer possibilidade de mobilidade social, que não concorda com a divisão dos recursos do estado com fragmentos de classe que almejam alguma ascensão e que não aprova a mistura racial étnica em sua composição. Ressaltou ainda que os anos democráticos da nossa República são bem menores com relação ao período ditatorial e que simplesmente não existe estado de exceção.
Por volta das 11h40 foi a vez dos paulistanos do Dinamite Club mandarem o seu pop punk. A banda é encabeçada por Bruno Peras (vocal), Márcio Rodrigues (guitarra), Leon Martinez (guitarra) e Eric Matern (bateria). Na sequência, tivemos também a performance do Mar Morto, banda de Praia Grande (SP) composta por Alinne Santos (vocal), Pedro Capone (baixo) e Anderson Souza (bateria/backing vocal). Após a apresentação do grupo, às 12h24 tivemos o discurso de Inti Queiroz (Havana Super Rock), militante da Frente Única de Cultura e da Frente Estadual da Cultura. Ela enfatizou a importância de sermos melhores que os burocatas para assim desconstruirmos os seus discursos. Também pontuou que devemos nos organizar para criar cada vez mais mídias alternativas de informação e que atinjam o público que ainda não teve acesso, além da necessidade de trazermos a juventude para a luta.
12h45 foi a vez do Blackjaw, grupo de Santos (SP) se apresentar. A banda é formada por Ravi Fernandes (vocal), Juliano Amaral (Bass), Thiago Nascimento (bateria), Daniela Gumiero (guitarra/vocal) e Aritai Machado (guitarra/vocal). O discurso seguinte contou com André (Good Intentions/Direction), cozinheiro vegano e ativista, em parceria de Mariana Araújo (Delectus Veg) e Mateus (Time and Distance), ambos também cozinheiros. André afirmou ter conhecido o veganismo dentro do underground e do hardcore, lendo fanzines e assistindo a documentários e ressaltou a sua necessidade em compartilhar o conhecimento adquirido para com os outros. Também recomendou a leitura sobre o veganismo e ainda mencionou a respeito da questão das demarcações das terras indígenas e da Funai (Fundação Nacional do Índio), bem como os pecuriastas querem avançar suas terras para produzir mais.
Logo após, às 13h30, foi a vez do hardcore intenso do Escombro, banda paulistana formada por Lucas "Jota" Ferreira (vocal), Felipe Felipeles (bateria), Igor "Japonês" Fugiwara (baixo) e Ricardo Quattrucci (guitarra). Às 13h44, Caio (Desalmado) discursou. O vocalista ressaltou o fato de termos um grande problema em mãos, no caso um um presidente declaradamente racista, homofóbico e anti pobre. Nesse momento o músico comenta sobre como o punk e o hardcore surgiram na periferia, onde se concentram os trabalhadores pobres e marginalizados. Caio também falou a respeito de como a política é o meio que temos para enfrentar o sistema como um todo e que todo aparato de repressão do estado está nas mãos da elite. Além disso, disse que, para a extrema direita, não é interessante a politização da sociedade, uma vez que a politização faz com que a população se conscientize e trave lutas contra a elite opressora.
Na sequência, tivemos a apresentação do Surra, banda de hardcore/crossover de Santos (SP) formada por Leeo Mesquita (vocal/guitarra), Guilherme Elias (baixo/vocal) e Victor Miranda (bateria). A banda tocou três músicas e quando iriam tocar a quarta, uma chuva se iniciou e acabou sendo responsável por encerrar o evento precocemente. É importante mencionar que, inicialmente, as bandas Rastilho, Marzela, Santa Murte, Statues on Fire e Garotos Podres também se apresentariam. Seja como for, a mensagem foi transmitida com sucesso e que venham muitos outros atos, pois certamente precisamos de posturas como essa mais do que nunca.
Redigido por David "Fanfarrão" Torres






Comentários
Postar um comentário