Overload Beer Fest Carioca Club - São Paulo - 03/02/2019


Com a premissa de reunir som pesado com muita cerveja, além de hambúrgueres e lanches veganos, rolou nesse último domingo (3) o Overload Beer Fest , no Carioca Club, em São Paulo. O festival foi muito aguardado pelos fãs de música pesada e contou com a presença das bandas paulistanas Blasthrash e Ratos de Porão, da santista Surra, da brasiliense D.F.C. e das internacionais Tankard (Alemanha) e Overkill (Estados Unidos). Como se pode imaginar, foi um evento monstruoso e a seguir falaremos com mais detalhes sobre tudo o que rolou nesse baita fest. 


A abertura do Carioca Club se deu por volta das 14h, mas antes rolou na porta da casa uma apresentação insana do power trio de crossover/thrash metal Cranial Crusher, banda oriunda de São Bernardo do Campo (SP). Renan Stoiani (vocal/baixo), Lucas Aímola (guitarra) e Guilherme Fructuoso (bateria) promoveram um "esquenta" em tanto. Teve espaço até mesmo para um cover de "Justiça das Ruas" (Bandanos). 


Às 15h foi a vez do Blasthrash mandar o seu thrash metal visceral. Composta por Dario Viola (vocal), Diego Rocha (guitarra), Jhon França (guitarra), Diego Nogueira (baixo) e Rafael Sampaio (bateria), a banda fez uma apresentação energética do início ao fim, que contou com músicas como "Radiation Death", "Nudity on T.V.", "Violence Just for Fun", a nova "Fake News", "Assassin" e "Possessed by Beer". Os primeiros moshpits do evento rolaram à partir do show do grupo, diga-se de passagem. Antes de tocar a inédita "Fake News", o vocalista Dario Viola manifestou total repúdio da banda para com o atual presidente Jair Messias Bolsonaro. Vale mencionar também que mesmo com a existência de uma grade separando a pista e o palco tivemos um stage dive durante a performance do quinteto. 


Na sequência, às 16h, foi a vez dos santistas do Surra mandarem o seu hardcore/crossover. Leeo Mesquita (vocal/guitarra), Guilherme Elias (baixo/vocal) e Victor Miranda (bateria) são sempre responsáveis por apresentações insanas e essa aqui não foi exceção à regra. Pedradas como "Não Escolha", "Peso Morto", "Tamo na Merda", "Parabéns Aos Envolvidos", "Sua Vez", "Arquitetos da Desgraça", "O Peso da Responsabilidade", "Daqui pra Pior", "7 a 1", "Até as Tampas", "Em Nome da Fé, "Insalubre", "Embalado pra Vender" e "Merenda" foram tocadas e o moshpit tomou conta da pista. Tivemos novamente mais alguns stage dives e dois fãs subiram ao palco e cantaram algumas músicas junto com a banda. Os integrantes da banda também agradeceram a presença de todos, incluindo dos fãs que se deslocaram de outras cidades. Outra apresentação do mais alto nível.


Por sua vez, às 17h foi a vez dos brasilienses do D.F.C. tocarem o terror. Com direito a Leeo Mesquita (Surra) introduzindo a banda, Tulio (vocal), Miguel (guitarra), Leonardo (baixo) e Bruno (bateria) devastaram tudo tocando pérolas como "Pau no Cú do Capitalismo em Posições Obscenas", "Lucro é o Fim", "Todos Eles te Odeiam", "Pobre Coitado", "Conversa pra Boy Dormir", "Venom", "Não São Casos Isolados", "O Mal da Liberdade", "Punk ou Panqui?", "Possuído Pelo Cão", "Petróleo Maldito", "Censura", "Cidade de Merda", "Querida Sogra", "Respeito é Bom e Conserva os Dentes", "Vou Chutar a Sua Cara" e claro, "Molecada 666". Durante a apresentação da banda tivemos mais uma sequência animalesca de moshpits e o coro "Se fode, D.F.C." foi entoado por boa parte dos fãs. O vocalista Tulio é sempre muito carismático e interagiu à todo instante com os presentes, inclusive pedindo para um deles parar de assediar as mulheres no mosh, uma atitude bastante nobre. O vocalista ainda disse que quem faz isso não entende as letras do grupo.


Em seguida, às 18h10, os pioneiros do Ratos de Porão sobem ao palco para mandar uma aula de hardcore/crossover. Jão (guitarra), João Gordo (vocal), Boka (bateria) e Juninho (baixo) fazem a pista girar novamente tocando sons como "Estilo de Vida Miserável", "Crocodila", "Amazônia Nunca Mais", "Lei do Silêncio", "Testemunhas do Apocalipse", "Crianças Sem Futuro", "Farsa Nacionalista", o medley "Morrer"/"Não Me Importo", "Crucificados Pelo Sistema", "Herança", "Beber Até Morrer" e "Crise Geral". Durante a apresentação, João Gordo ainda brincou dizendo que se esqueceu de trazer o seu CD original do "Zombie Attack", do Tankard para a banda assinar. Após o término da performance, o baixista Juninho ainda entoa um "Pau no cu do Bolsonaro" em alto e bom som. Uma apresentação insana, suja e agressiva – do jeito que se espera de um show do RxDxPx. 




Finalmente, às 19h20, é hora da primeira atração internacional da noite: os thrashers cervejeiros e alemães do Tankard! Assim que Gerre (vocal), Frank Thorwarth (baixo), Olaf Zissel (bateria) e Andy Gutjahr (guitarra) surgem no palco, o moshpit volta a tomar conta da pista. A apresentação se iniciou de modo altamente energético com a nova "One Foot in the Grave" e seguiu com "The Morning After", "Zombie Attack", "Not One Day Dead (But Mad One Day)", "Rapid Fire (A Tyrant's Elegy)", "Rules for Fools", "Die With a Beer in Your Hand", "Minds on the Moon", "R.I.B. (Rest in Beer)", "Pay to Pray", "Rectifier", "Chemical Invasion", "A Girl Called Cerveza" e emblemática e festiva "(Empty) Tankard", que encerrou o show de modo apoteótico, levando todos a dançar na pista. Mais uma vez, tivemos stage dives e crowd surfings ocorrendo a todo instante. Destaque total para o frontman Gerre, uma figura única e altamente carismática, sempre interagindo com o público e fazendo coisas engraçadas no palco, como levantar sua camiseta e bater com o microfone em sua barriga avantajada. Figuraça!




Encerrando a noite, às 21h, os estadunidenses do Overkill realizaram outra apresentação absolutamente matadora e irrepreensível. D.D. Verni (baixo/vocal de apoio), Bobby "Blitz" Ellsworth (vocal), Dave Linsk (guitarra), Derek "The Skull" Tailer (guitarra) e Jason Bittner (bateria) nos brindaram com um repertório recheado de pérolas: "Mean, Green, Killing Machine", "Rotten to the Core", "Electric Rattlesnake", "Hello From the Gutter", "In Union We Stand", "Coma", "Infectious", "Goddamn Trouble", "Wrecking Crew", a nova "Head of a Pin", "Hammerhead", "Ironbound", "Elimination", além dos covers "Fuck You" (The Subhumans) e "Sonic Reducer" (Dead Boys) foram tocadas com muita energia e peso. O baixo de D.D. Verni estalava de um modo absurdo e a bateria de Jason Bittner também soava bem alta, martelando os tímpanos dos presentes. Por mais que tenha sido o último show da noite, engana-se quem pensa que o moshpit havia cessado. A roda comeu solta na pista, principalmente nos sons mais clássicos. Bobby "Blitz" também arriscou um palavrão em português ("filhos da puta") e interagiu bastante com o público, tornando a performance mais interessante. Um show absolutamente memorável.

Em poucas palavras e sem muita enrolação, o Overload Beer Fest foi um evento excepcional do início ao fim. Os organizadores e todas as bandas estão de parabéns e que rolem mais edições, pois certamente estaremos presentes para prestigiar.  

Redigido por David "Fanfarrão" Torres













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