Nuclear Assault SESC Belenzinho - São Paulo - 26/04/2019


Fazia quatro anos que os estadunidenses do Nuclear Assault não pisavam em solo brasileiro. Tal espera valeu muito a pena, pois a banda veterana fez uma turnê tupiniquim que passou pelas cidades de Recife (PE), Limeira (SP), Rio de Janeiro (RJ), Vila Velha (ES) e São Paulo (SP). Aqui em São Paulo, Dan Lilker (baixo/vocal de apoio), John Connelly (vocal/guitarra), Erik Burke (guitarra) e o músico convidado Nicholas Barker (bateria) tocaram em duas datas, sendo uma na quinta-feira do dia 25/04 e outra, na sexta-feira do dia 26/04. Quem compareceu em ambas as datas sabe bem que a destruição comeu solta nos dois dias. Nesse texto fanfarrônico aqui, falaremos sobre a apresentação ocorrida em 26/04. Portanto, vistam seus coletes jeans cheios de patches, botem seus bonés de aba reta e demais apetrechos, pois as coisas ficarão bem violentas nas linhas seguintes.


Pontualmente às 21h30, o SESC Belenzinho anuncia a atração da noite: os thrashers pioneiros do Nuclear Assault. Desnecessário dizer que assim que o quarteto de músicos subiu ao palco o mais puro e incessante caos tomou conta da pista, certo? Pois bem, eu nem comecei ainda. A apresentação começa com a pancadaria de "Rise From the Ashes", clássico presente em "Survive" (1988), o segundo disco da banda. O moshpit já se inicia, tomando conta da pista em questão de segundos. Ao mesmo tempo, alguns fãs mais ávidos cantam a letra da música a plenos pulmões grudados no palco. É importante ressaltar que havia uma faixa de segurança totalmente mixuruca divindo a pista e o palco. Essa tal faixa não durou muitos segundos, como podem imaginar. 


É muito comum ver músicos de bandas internacionais vestirem camisetas de grandes representantes do metal brasileiro e nessa noite, o lendário baixista Dan Lilker (Venomous Concept, ex-S.O.D., ex-Brutal Truth, ex-Anthrax) vestia uma regata do Sepultura. Assim que terminam de tocar a primeira música, Lilker menciona que faz 30 anos desde o primeiro show do Nuclear Assault no extinto Dama Xoc e tome "Brainwashed", outro hino dos caras, que faz o público tocar o terror em grande estilo. Sem perder tempo, já mandam a veloz e igualmente fantástica "F#". Um segurança estava tentando impedir os fãs de promoverem stage dives e bem no início da performance da banda, o sempre carismático frontman John Connelly fez um gesto para ele, sinalizando que era para deixar todos se divertirem. Não me canso de dizer. São gestos como os de John que fazem do underground a melhor cena que existe. Essa interação calorosa não tem preço e artistas como Connelly merecem todo respeito. Infelizmente, como nem tudo são flores, nem todos os músicos do cenário independente pensam/agem dessa forma, conforme falarei em meu próximo texto... Marquem minhas palavras!


O show prossegue com uma pérola do álbum de estreia dos caras, o emblemático "Game Over" (1986), "Vengeance". O moshpit vai ficando cada vez mais intenso e impiedoso, com todos girando e devastando tudo. Logo após, é a vez da deliciosamente suja e agressiva "Radiation Sickness", que segundo Dan Lilker, é a favorita de John Connelly. Algo que deve ser mencionado também é que o coro "Ei, Bolsonaro! Vai tomar no cu!", coro que vem se tornando marca registrada em muitos shows de rock/metal, foi entoado por todos, incluindo pelo baixista Dan Lilker, que aparentemente tentou puxar também um "Fuck Donald Trump!".


Após revisitarem brevemente o seu antológico disco de estreia, é hora de relembrar outra pérola do grupo, nesse caso, o terceiro álbum, "Handle With Care" (1989). A primeira música do play a ser tocada é justamente a faixa que abre esse registro, "New Song", forte candidata a canção com título mais preguiçoso da história do crossover thrash/thrash metal! Brincadeiras a parte, é uma composição maravilhosa e ao vivo soa ainda mais energética e poderosa. O mesmo pode ser dito do clássico que foi executado na sequência, "Critical Mass", um dos maiores hinos da banda, que foi popularizado no fim dos anos oitenta graças ao seu icônico videoclipe veiculado à exaustão nos tempos áureos da MTV. Como já podem imaginar, o público cantou, moshou e se acabou no stage dive como se não houvesse amanhã. Foi simplesmente épico!


Em seguida, os veteranos revisitam brevemente o seu excelente EP "The Plague" (1987), tocando a matadora instrumental "Game Over" e emendando com essa que é uma das músicas favoritas de quem vos escreve, "Butt Fuck". A execução de ambas foi igualmente mortal e irrepreensível! Sem perder tempo, o quarteto ainda manda mais pérolas viscerais, sendo elas "Stranded in Hell", "Sin", "Betrayal", a recente "Analog Man in a Digital World" e "F# (Wake Up)". Após a execução desses belos petardos, a banda mandou uma trinca de seus sons mais anti-musicais e de curta duração. É claro que estou falando de "My America", "Hang the Pope", na qual dois fãs subiram e cantaram nos microfones de Dan Lilker e John Connelly e "Lesbians". Pra fechar com chave de ouro, tivemos a clássica "Trail of Tears", que possui um clima parcialmente de semi-balada, ao mesmo tempo que também é bem "porradeira". Forma apoteótica e bastante apropriada de encerrar essa bela apresentação. 


Creio que não exista outro termo para definir o show do Nuclear Assault a não ser aula. Essa foi a segunda vez que quem vos escreve assistiu a banda ao vivo e foi igualmente maravilhoso a primeira. Mesmo com 35 anos de carreira, os caras ainda possuem muita lenha pra queimar e sabem como fazer uma legítima aula de crossover/thrash metal. O show dos caras não te dá tempo pra respirar. É porrada atrás de porrada e a energia que paira na apresentação é a mesma de um show oitentista, mas tudo de forma natural e nada forçada. Se você que está lendo o texto agora ainda não teve a oportunidade de assistir a um show da banda, caso venha a ter essa oportunidade, faça um favor a si mesmo(a) e vá! Não vai se arrepender. 


Integrantes:
Dan Lilker (baixo/vocal de apoio)
John Connelly (vocal/guitarra)
Erik Burke (guitarra)
 
Músico convidado:
Nicholas Barker (bateria)

Setlist:
1. Rise From the Ashes
2. Brainwashed
3. F#
4. Vengeance
5. Radiation Sickness
6. New Song
7. Critical Mass
8. Game Over
9. Butt Fuck
10. Stranded in Hell
11. Sin
12. Betrayal
13. Analog Man in a Digital World
14. F# (Wake Up)
15. My America
16. Hang the Pope
17. Lesbians
18. Trail of Tears

Redigido por David "Fanfarrão" Torres














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