Muito foi falado a respeito quando os thrashers estadunidenses do Slayer anunciaram a sua turnê mundial de despedida. Muitos desacreditaram – e continuam desacreditando – que a banda encerrará as atividades definitivamente, mas uma coisa é certa: os quatro músicos oriundos da Califórnia já não são mais moleques e a proposta sonora da banda demanda muita energia e disposição, principalmente em performances ao vivo e longas turnês ao redor do mundo. Falando sobre a tal "Final World Tour", a mesma teve duas datas aqui no Brasil, sendo uma em São Paulo, no dia 02 e outra no Rio de Janeiro, no Rock in Rio, no dia 04. Aqui em São Paulo, o show de despedida da banda rolou no Espaço das Américas, local situado na região da Barra Funda, com infraestrutura apropriada e de fácil acesso ao metrô. Quer saber tudo o que rolou nessa histórica apresentação dos mestres do thrash metal? Pois não deixe de ler as linhas fanfarrônicas seguintes!
A abertura da casa se deu às 19h30 e às 20h45 teve início a apresentação dos death/thrashers brasileiros do Claustrofobia, banda oriunda de Leme (SP). Ao som de ritmos brasileiros, os irmãos Caio (bateria) e Marcus D'Angelo (vocal/guitarra), além de Rafael Yamada (baixo) entram em cena mandando "Zica do Pântano", do EP "Swamp Loco" (2018). Agora que entra a parte interessante da história. Dias antes do show, viralizou nas redes sociais um comunicado dizendo que mosh e stage dive estariam proibidos no evento. Pois bem, bastou o frontman Marcus D'Angelo pedir para abrir a roda que o público prontamente atendeu e o couro comeu solto na pista – do jeito que tem que ser! Marcus ainda agradeceu a todos que ajudaram a banda a ser escalada para a abertura e o restante do repertório contou com "Bastardos do Brasil", "Thrasher", o novo single "Vira Lata", "Pinu da Granada", "Metal Maloka" e "Peste", que encerrou a breve apresentação de forma violenta e incisiva. Vale mencionar também o coro "Não vai ter mosh!" que foi entoado por vários presentes como resposta a todos os que imaginavam que poderiam proibir o moshpit durante os shows. E em poucas palavras, o Claustrofobia provou mais uma vez que é uma das bandas mais competentes e talentosas do cenário death/thrash brasileiro.
E então, por volta de 21h40, se iniciava a abertura da atração principal: os mestres do Slayer! Sob a cortina do palco, ao som da introdução instrumental "Delusions of Saviour", do disco "Repentless" (2015), crucifixos invertidos giravam, dando lugar aos icônicos logos do brasão da banda, que também giravam, até finalmente darem lugar ao nome da banda centralizado e em letras garrafais. Todos estavam hipnotizados e eufóricos e assim que a cortina veio abaixo revelando Kerry King (guitarra), Tom Araya (vocal/baixo), Paul Bostaph (bateria) e o músico especialmente convidado Gary Holt (guitarra), a casa veio abaixo e a pista se tornou um verdadeiro campo de batalha infernal, com o circle pit devastando tudo e todos. "Repentless" foi a primeira pedrada a ser tocada, seguida de "Evil Has No Boundaries", a faixa de abertura do disco de estréia do grupo, "Show No Mercy" (1983).
Na sequência, sem perder tempo, o quarteto executa "World Painted Blood", do disco homônimo de 2009 e emenda com "Postmortem", a primeira representante do clássico imortal "Reign in Blood" (1986), além de "Hate Worldwide". "E aí, 'purra'!", diz um grisalho e fanfarrão Tom Araya, que agradece a todos logo em seguida. Antes de iniciar o próximo petardo, Araya pede para todos gritarem a palavra "War" e claro, dá-lhe "War Ensemble", de "Seasons in the Abyss" (1990). O moshpit tomava conta de toda a pista. Algo muito interessante desse tipo de show é que se tratam de múltiplas rodas ao mesmo tempo, uma em cada lugar e em determinados momentos, quem está em uma acaba indo parar em outra e por aí vai. É um caos simplesmente delicioso.
Proporcionando uma breve calmaria na tempestade, a banda toca a cadenciada "Gemini", de "Undisputed Attitude" (1996). Chega a ser engraçado, porque até mesmo nesse som alguns fãs tentaram moshar nos trechos mais rápidos. Na sequência, foi a vez do clássico moderno "Disciple", de "God Hates Us All" (2001), que fez a pista girar novamente. Depois, tivemos a cadenciada "Mandatory Suicide", de "South of Heaven" (1988) e o furacão caótico de "Chemical Warfare", do EP "Haunting the Chapel" (1984). Após essa sequência de sons animalescos, Araya pergunta a todos se estão cansados e oferece "Payback", paulada desgraçada do jeito que gostamos.
Representando o lado B de "Seasons in the Abyss", "Temptation" e "Born of Fire" foram tocadas na sequência, para a alegria daqueles que curtem faixas mais esquecidas e obscuras de grandes álbuns. Logo após, tivemos a emblemática "Seasons in the Abyss" e o hino infernal "Hell Awaits", que transformou a pista novamente num portal do inferno. O massacre prossegue com a cadenciada "South of Heaven" e a mortal dobradinha "Raining Blood" e "Black Magic" que faz todos irem ao delírio logo nas primeiras notas. Para finalizar a apresentação, ainda temos a moderadamente lenta, mas igualmente pesada "Dead Skin Mask" e claro, "Angel of Death", que encerra a performance com uma sangrenta chave de ouro. Ao término do show, todos estavam exaustos, muitos haviam passado mal devido a problemas com o ar condicionado que não estava funcionando muito bem, mas o fato é que todos estavam satisfeitos com a aula que acabaram de assistir. E em tempo, foi muito emocionante ver Tom Araya dizer que sentirá falta de todos e mandar um "tchau" em português antes de deixar o palco.
Todo grande fã de rock/metal sabe bem que não é de hoje que diversas bandas e artistas do vasto cenário da música pesada mundial anunciam volta e meia turnês de despedidas. É evidente que muitas bandas acabam se utilizando desse recurso apenas para faturar mais e mais, entretanto creio que o Slayer esteja realmente deixando os palcos ou que pelo menos estejam bem próximos de fazer isso. Como disse antes, a sonoridade executada pela banda é muito rápida e caótica e demanda muita disposição. Some isso a turnês extensas ao redor do globo. É um esforço em tanto. Seja como for, se esse realmente for o fim do Slayer, estarão saindo por cima como uma das melhores e mais importantes bandas da história do metal. Em tempo, ainda sobre essa última apresentação em São Paulo, foi uma performance simplesmente histórica e invejável. Mais uma aula de thrash visceral dos mestres. Pra finalizar, independente se esse for o fim da banda ou não, o Slayer sempre permanecerá vivo em nossas mentes e corações.
Claustrofobia
Caio D'Angelo (bateria)
Marcus D'Angelo (vocal/guitarra)
Rafael Yamada (baixo)
Setlist:
1. Zica do Pântano
2. Bastardos do Brasil
3. Thrasher
4. Vira Lata
5. Pinu da Granada
6. Metal Maloka
7. Peste
Slayer
Kerry King (guitarra)
Tom Araya (vocal/baixo)
Paul Bostaph (bateria)
Músico convidado:
Gary Holt (guitarra)
Setlist:
1. Repentless
2. Evil Has No Boundaries
3. World Painted Blood
4. Postmortem
5. Hate Worldwide
6. War Ensemble
7. Gemini
8. Disciple
9. Mandatory Suicide
10. Chemical Warfare
11. Payback
12. Temptation
13. Born of Fire
14. Seasons in the Abyss
15. Hell Awaits
16. South of Heaven
17. Raining Blood
18. Black Magic
19. Dead Skin Mask
20. Angel of Death
Redigido por David "Fanfarrão" Torres









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