No domingo do dia 27 de outubro rolou uma nova e aguardada edição do Kool Metal Fest. Para quem não se lembra, a última havia ocorrido em 2016 e já estava mais do que na hora de termos uma nova e matadora edição. E assim foi! Contando com a presença das bandas Obsoletion (SP), Cankro (SP), Echoes of Death (CE), Espectro (PR), Damn Youth (CE), Flageladör (RJ), Whipstriker (RJ) e Violator (DF), o fest foi avassalador e nas próximas linhas fanfarrônicas, falarei com mais detalhes sobre tudo, portanto, não deixem de ler.
Inicialmente, as portas da casa se abririam às 14h, mas houve um atraso na organização do evento, o que fez com que o fest demorasse um pouco mais para começar. Mesmo assim, nada disso contribuiu para diminuir a diversão da galera, ávida por som veloz e barulhento. A discotecagem da casa ficou por conta de Bajul Marotta e a playlist trazia o melhor do crossover, thrash e hardcore punk, dando o tom certo durante as apresentações das bandas.
Por volta das 16h teve início a apresentação do quarteto paulistano do Obsoletion. A apresentação da banda teve um forte quê de D.I.Y (Do It Yourself - Faça Você Mesmo), com tudo feito na raça e mesmo com certos problemas técnicos aqui e acolá, incluindo a microfonia, o grupo conseguiu cativar uma parcela dos presentes, que chegou até mesmo a promover um singelo moshpit.
Na sequência, foi a vez do Cankro, banda também paulistana, mandar o seu hardcore visceral nos mesmos moldes de nomes como Poison Idea, Anti-Cimex e Olho Seco. A receptividade foi igualmente positiva e a o power trio mandou muito bem.
Aproximadamente 18h foi a vez de termos uma dose de death metal old school com os cearenses do Echoes of Death. Contando com integrantes dos conterrâneos do Damn Youth, o quarteto conta com Fernando JFL (baixo), Italo Rodrigo (bateria), Camilo (guitarra) e Jardel Stick (vocal/guitarra). A apresentação dos caras foi marcada por um generoso e violento moshpit, além de alguns stage dives. O repertório, por sua vez, incluiu as composições do único álbum do grupo, o excepcional "...in the Cemetery" (2018).
Deixando o clima visceral de lado, na sequência tivemos os paranaenses do Espectro. O quinteto é formado por João Wegher (baixo/vocal), Pedro Tomaz (bateria), Jean Augusto (guitarra), Luan Bremer (guitarra) e Reinaldo Vuicik (vocal). A apresentação dos caras cortou aquela clima de destruição de outrora por conta da sonoridade heavy/stoner, mas agradou muitos dos presentes. Detalhe: havia um cara completamente chapado e que volta e meia subia ao palco.
Por sua vez, às 19h40, foi a vez dos cearenses do Damn Youth tocarem o terror com o seu thrash/crossover alucinado. A banda, formada por Jardel Reis (baixo), Italo Rodrigo (bateria), Camilo Neto (guitarra), Elton Luiz (vocal), fez uma legítima aula de thrash, pra variar. Stage dives frenéticos e incessantes e um circle pit infernal caracterizaram a performance dos caras, que contou com pérolas como "Progress?", "Fear Within", "No Mercy to Nazy Sympathy" e "Jurisdiction". O frontman Elton agradeceu a todos, mencionou que apoiam as manifestações que estão rolando no Chile nesse exato momento e reforçou que o underground, a qual se referiu como "submundo", é o nosso lugar. E claro, o coro "Ei, Bolsonaro! Vai tomar no cu!" não poderia deixar de ser entoado por todos os presentes, não é mesmo?
Logo após, às 20h30, foi a vez do Flageladör mandar o seu recado e novamente, foram muito bem recebidos por todos. Mandando um speed/thrash metal, Armando Exekutor (vocal/guitarra), Hugo Golon (bateria), Alan Magno (baixo) e Lucas Chuluc (guitarra) fizeram muitos ali devastarem no moshpit. O repertório do quarteto contou com pérolas como "Terror Pós-Atômico", "Assalto da Motosserra" e "A Maldição de Anúbis" e vale mencionar que um dos sons tocados foi dedicado ao governo neofascista que vivemos, segundo palavras do frontman Armando Exekutor.
O heavy/speed metal – mais precisamente metal punk – do Whipstriker veio na sequência, novamente fazendo todos agitarem sem parar. O quarteto, composto por Whipstriker (vocal/baixo), Hugo Golon (bateria), Witchcaptor (guitarra) e Doomhammer (guitarra), mandou pedradas como "Waiting for the Doomsday", "We Came from the Wild Lands", "Lucifer Set Me Free", "Rape of Freedom", "Merciless Artillery", "Troopers of Mayhem" e "Crude Rock 'n' Roll". É importante mencionar que em dois sons, "Lucifer Set Me Free" e "Crude Rock 'n' Roll", dois fãs subiram ao palco e cantaram pedaços das músicas.
Finalmente, às 22h e encerrando a noite com chave de ouro, foi a vez dos thrashers brasilienses do Violator incendiarem o local. Basta Pedro "Poney Ret" Arcanjo (vocal/baixo), Batera (melhor apelido) (bateria), Capaça (guitarra) e Marcio Cambito (guitarra) entrarem no palco para o
público ir ao delírio. "Vamos destruir esse lugar!", diz um entusiasmado Poney e certamente seu pedido foi atendido logo no primeiro som, a instrumental "Ordered to Thrash", do álbum de estreia "Chemical Assault" (2006), que faz a pista pegar fogo facilmente. Sem perder tempo, Poney e cia. já mandam outro clássico do mesmo disco, a voraz "Attomic Nightmare". O moshpit estava ainda mais insano e os stage dives estavam ainda mais frenéticos do que na primeira música.
Antes de tocarem o próximo som, Poney faz um discurso bem-humorado sobre o atual cenário político brasileiro e introduz a contundente "Respect Existence or Expect Resistance", de "Scenarios of Brutality" (2013). O coro "Ei, Bolsonaro! Vai tomar no cu!" acompanhou o "Foda-se Jair Messias Bolsonaro!", de Poney em "False Messiah", do EP "The Hidden Face of Death" (2017). Em "Toxic Death", aparentemente rolou um desentendimento entre alguns fãs e o frontman rapidamente interveio dizendo que não queria brigas no local. Na sequência, o quarteto manda a deliciosamente violenta "Futurephobia", do EP "Annihilation Process" (2010).
Em seu discurso seguinte, Poney brincou comentando que era aniversário do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva – e de fato era mesmo –, reforçou o posicionamento esquerdista da banda e apoio dos integrantes à todas as minorias. Após essas palavras, executam a sinistra "Infernal Rise". O carismático vocalista/baixista também faz agradecimentos à organização do Kool Metal Fest e ressalta o espírito D.I.Y.
Depois ainda rolam a instrumental "Death Descends (Upon This World)", "Endless Tyrannies" (nesse som ocorre uma falha técnica) e "Destined to Die". Quando a banda começou a tocar o último som, o hino "UxFxTx (United for Thrash)", diversos fãs, incluindo esse que vos escreve, subiram ao palco para agitar, mas isso acabou interferindo na performance da banda, virando um caos total. Resultado: os caras tiveram que improvisar, com Poney apenas cantando e Marcio Cambito no baixo, mas no final deu tudo certo – na medida do possível – e a banda conseguiu finalizar o show de forma totalmente satisfatória.
Em poucas palavras, essa edição do Kool Metal Fest foi novamente matadora e conseguiu agradar a todos os públicos facilmente. Parabéns aos organizadores, que sempre proporcionam eventos de alto calibre. Agradecimentos extras para as bandas e aos fãs, que representaram do início ao fim do evento. E fiquem ligados, caros fanfarrões e fanfarronas, pois vai rolar cobertura do Kool Metal Fest do dia 10/11 também. Fiquem de olho!
Redigido por David "Fanfarrão" Torres










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