Duas semanas depois do último e muito bem-sucedido Kool Metal Fest, é hora de repetir a dose com mais uma edição avassaladora. Contando com as bandas Eskröta (SP), Cemitério (SP), Surra (Santos/SP), Nervosa (SP), Krisiun (RS), além da atração internacional Brujeria (México), o fest foi tão destruidor como o anterior e nas próximas linhas fanfarrônicas falarei com mais detalhes a respeito.
O local escolhido para o evento foi o Carioca Club, casa de shows localizada na região de Pinheiros. Assim como no evento anterior, os cem primeiros a entrarem na casa ganharam um vale pôster. Ao término do evento, bastava apresentar o vale para retirar o pôster, ou seja, uma forma bem inteligente de permitir que o público pudesse curtir o evento de forma tranquila. Além disso, estavam sendo comercializados os merchs de todas as bandas e também do evento em si.
A abertura da casa ocorreu às 15h e às 16h as apresentações tiveram início, com o show do Eskröta. Yasmin Amaral (vocal/guitarra), Tamy Leopoldo (baixo e vocal de apoio) e Miriam Momesso (bateria e vocal de apoio) fizeram uma apresentação excepcional. O show do power trio feminino teve início com samples que traziam uma forte crítica ao machismo e a música escolhida para iniciar a performance foi "Crime Hediondo". O restante do setlist ainda contou com toda as demais faixas do EP de estreia "Eticamente Questionável" (2018). Além disso, rolaram também o cover de "Aids, Pop, Repressão" (Ratos de Porão) e "Cruzamento Maldito", som inédito que fará parte do vindouro novo material do grupo. Durante toda a apresentação, as integrantes incentivaram o público feminino a agitar e durante "Mulheres", boa parte das mulheres da plateia subiu ao palco para agitar. Vale mencionar que esse som, que é bem curto e possui uma pegada bem hardcore, foi tocado duas vezes, sendo que na segundo a levada da bateria foi acelerada, dando um tom mais grindcore e feroz à composição. Em poucas palavras, uma excelente forma de iniciar o fest.
Na sequência, às 16h45, é a vez do Cemitério tocar o terror – literalmente – com seu death metal old school com temática de filmes de terror dos anos 70 e 80. Hugo Golon (vocal) e sua banda de apoio iniciam a sua apresentação com "A Volta dos Mortos Vivos" e o restante do repertório ainda trouxe os sons "A Vingança de Cropsy", "Quadrilha de Sádicos", "Tara Diabólica", "Oãziac Odèz", "Holocausto Canibal", "Sexta-Feira 13", "O Dia de Satã", "A Sentinela dos Malditos", "Natal Sangrento" e "Pague Para Entrar, Reze Pra Sair". Ao término do show, o baixista ainda disse "Pau no cu do Bolsonaro", para a alegria dos presentes. Novamente, outra apresentação irrepreensível.
Logo após, foi a vez do thrashcore antifascista e impetuoso do Surra arregaçar tudo e todos. Guilherme Elias (baixo/vocal de apoio), Victor Miranda (bateria) e Leeo Mesquita (vocal/guitarra) promovem atualmente "Escorrendo Pelo Ralo", o segundo álbum do power trio, lançado nesse ano e é claro que a apresentação dos santistas contou com diversos sons desse novo material. Assim que as cortinas se abrem, o trio já manda a porrada "Bom Dia Senhor" e boa parte dos presentes demonstraram que já conhecem sua letra de cabeça.
Na sequência, ainda tivemos mais composições novas, sendo elas "Escorrendo Pelo Ralo", "O Mal Que Habita a Terra" e "Do Lacre ao Lucro". A pista se tornou um verdadeiro inferno – no melhor sentido da palavra – à partir desses sons. A primeira representante de "Tamo na Merda" (2016) foi "Embalado pra Vender" e assim como as demais, fez o moshpit ferver incessantamente na pista. Também tivemos na sequência "Ultraviolência" e "Mais um Refém". Entre elas, rolou o coro "Ei, Bolsonaro! Vai tomar no cu!", entoado por todos. Depois, ainda tivemos "Virou Brasil Pt. 2", "Caso Isolado", "Jogo Sujo", "Anestesia" (dedicada a um amigo pessoal da banda, de Praia Grande), "Parabéns aos Envolvidos", na qual um roadie jogou um pato inflável na pista (referência ao pato da FIESP), ampliando ainda mais o caos – e a diversão – de todos, "Daqui Pra Pior" e "Merenda", sons dos quais fãs subiram ao palco para cantar, além de "7 a 1" e "A Troco de Nada", que encerraram
a apresentação de forma apoteótica.
Em seguida foi a vez de outro power trio feminino subir ao palco: Nervosa! Fernanda Lira (vocal/baixo), Prika Amaral (guitarra/vocal de apoio) e Luana Dametto (bateria) fizeram uma apresentação igualmente destruidora e que fez novamente o moshpit comer solto na pista. A frontwoman Fernanda Lira fez discursos bem pontuais durante toda a apresentação e manifestou sua enorme satisfação em tocar em uma edição do Kool Metal Fest. Já o setlist, por sua vez contou com pedradas como "Hostages", "Raise Your Fist!", "Never Forget, Never Repeat", "Guerra Santa", "Masked Betrayer" e "Into Moshpit". Durante o show ainda tivemos alguns crowd surfings e stage dives. O Nervosa é um grupo que evoluiu muito desde o seu surgimento e essa evolução continua. Sucesso total ao power trio!
Depois, às 19h30, foi a vez dos veteranos do Krisiun mandaram o seu death metal impetuoso. Ao som de uma introdução climática e com boa parte do público ovacionando o nome da banda, Alex Camargo (vocal/baixo), Max Kolesne (bateria) e Moyses Kolesne (guitarra) adentram ao palco. "Boa noite, São Paulo! O Krisiun está aqui!", diz o frontman Alex Camargo, com seu tom característico de voz e dá-lhe "Kings of Killing, que abre o repertório de forma irrepreensível. Durante a apresentação, Alex pediu para todos botarem pra foder e fez críticas simples e diretas ao governo, ressaltando a importância de lutarmos pela nossa cultura e pelo metal nacional. Também enfatizou a satisfação em tocar em solo brasileiro e ainda disse "Pau no cu do Bolsonaro", para a alegria de muitos. Já o restante do setlist contou com as desgraceiras "Ravager", "Combustion Inferno", "Scourge of the Enthroned", "Blood of Lions", "Descending Abomination", "Demonic III", "Apocalyptic Victory", "Vengeance's Revelation" e "Black Force Domain". Não tem muito o que falar, o Krisiun é uma das maiores bandas de metal de nosso país e suas apresentações são sempre muito profissionais e competentes. Baita show!
E por fim, pouco mais de 21h, após um certo atraso, era a vez da atração headliner: Brujeria! Uma menininha sobe ao palco e dá boa noite a todos e diz "E agora, com vocês, BRUJERIA!" e todos vão ao delírio. A introdução de "Cuiden a los Niños", de "Brujerizmo" (2000) ecoa pelos P.A.s e ao som dela, surgem os integrantes Juan Brujo (vocal), El Sangrón (Henry Sanchez) (vocal), El Criminal (Anton Reisenegger) (guitarra), Hongo (Shane Embury) (baixo) e Hongo Jr. (Nick Barker) (bateria). Assim que o primeiro riff de "Cuiden a los Niños" é executado, a pista se transforma em um território violento e hostil. Na sequência, os greñudos locos já mandam "La Ley de Plomo", do clássico "Raza Odiada" (1995). O moshpit come solto nos trechos mais truculentos da música.
Logo após, a banda manda as novas "Amaricon Czar" e "Lord Nazi Ruso". Nesse momento, o mesmo grupo de mulheres que estava no palco no show do Nervosa reaparece e ficam em cima do palco durante várias músicas à partir dali. Por sua vez, a destruição continuou comendo solta nas clássicas "Hechando Chingasos (Greñudos Locos II)" e "La Migra (Cruza la Frontera II)". O caos prossegue com a primeira representante de "Pocho Aztlan" (2016), a paulada "Satongo", que foi seguida da desgraçada "Desperado", de "Matando Güeros" (1993).
O caos jamais cessa em uma apresentação dessas e o cartel de deathgrinders nos brinda com outra desgraceira de alto calibre, "El Desmadre", que faz a pista virar novamente um pandemônio, assim como o som que foi tocado na sequência, "Anti-Castro", que foi dedicada, como sempre, "carinhosamente" a Raul Castro. Após esse som ser executado, tivemos novamente o coro "Ei, Bolsonaro! Vai tomar no cu!". Logo após, El Sangrón diz para todos se prepararem para a "Marcha de Odio", que foi novamente recebida de forma extremamente calorosa por todos os presentes. Na sequência ainda tivemos "Revolución" e Brujerizmo", onde mais uma vez a destruição foi a palavra de ordem.
Antes de anunciarem o som seguinte, El Sangrón ainda agradeceu aos "hermanos" do Krisiun e então, oferece "Ángel de la frontera", outra faixa do recente "Pocho Aztlan". "Uma pergunta: onde está a marijuana?", pergunta El Sangrón e então, uma fã consegue um baseado para o vocalista, que traga com todo prazer. Nesse momento, rola até uma jam improvizada de "Sweet Leaf", do Black Sabbath, algo realmente hilário e altamente fanfarrônico. Eis que a banda toca "Consejos Narcos" com uma parcela bastante representativa do público feminino no palco. Já o final do show fica reservado para "Colas de Rata", "Raza Odiada (Pito Wilson)", "No Aceptan Imitaciones" e "Matando Güeros", que encerra o show de forma sempre apoteótica. Após o show, ainda rolou dos P.A.'s a divertidíssima "Marijuana", paródia de "Macarena" (Los Del Río). Juan Brujo ficou no palco cantando a música, enquanto diversos fãs dançavam e tiravam selfies do palco.
Em poucas palavras, essa edição do Kool Metal Fest foi igualmente impecável e irrepreensível em todos os aspectos. Todas as bandas estão de parabéns, o público agitou incessantemente do início ao fim e os organizadores novamente merecem todos os elogios possíveis por tudo o que fizeram. Que venham muitas e muitas outras edições!
Redigido por David "Fanfarrão" Torres












Comentários
Postar um comentário