Nesse fim de semana, o Parque da Juventude, um dos maiores parques de esportes radicais da América Latina, localizado em São Bernardo do Campo, foi reaberto, trazendo agora novas áreas de lazer e, para inaugurar em grande estilo, rolou um tremendo evento gratuito reunindo esportes radicais, gastronomia e música. Falando da parte musical do evento, no sábado (7) teve uma apresentação do Maneva, banda paulistana de reggae e no domingo (8), rolaram as apresentações do grupo paulistano veterano de hardcore melódico CPM 22 e da também banda veterana estadunidense de hardcore/crossover Suicidal Tendencies. Desnecessário dizer que o local lotou de fãs ensandecidos para ver a banda californiana liderada por Mike "Cyco Miko" Muir (vocal) não é mesmo? Pois bem, nas próximas linhas fanfarrônicas falarei com detalhes a respeito desse baita show proporcionado pelo SxTx.
Por volta das 17h50, uma legião de cycos e skatistas ostentando bonés de abas retas, skates – é claro – e bandanas estava aglomerada no local, aguardando o início do que viria a ser uma performance matadora de uma das bandas mais influentes do cenário hardcore/crossover. E então, eis que entram em cena Mike Muir (vocal), Dean Pleasants (guitarra), Ra Díaz (baixo), Ben Weinman (guitarra) e Brandon Pertzborn (bateria). Sim, dessa vez estavam sem Dave Lombardo (ex-Slayer, Dead Cross). "What the fuck is going on 'round here?", indaga o insano e absolutamente carismático Cyco Miko, dando início ao clássico turbilhão "You Can't Bring Me Down", de "Lights...Camera...Revolution" (1990). As rodas rapidamente se formaram na pista assim que essa bela pedrada foi tocada. Todos ovacionam "SxTx! SxTx!" e na sequência, Cyco Miko já anuncia a pedrada old school "I Shot the Devil" – mais conhecida como "I Shot Reagan", faixa do álbum de estreia da banda, o auto-intitulado de 1983. A destruição comeu solta na pista, simplesmente isso.
A cadenciada "Lost Again" dá sequência ao show e é engraçado que até mesmo em sons mais lentos como esse o público agitava sem parar. "Como vai você? Tudo bem?", pergunta o baixista Ra Díaz, que recebe uma resposta bastante positiva de todos. Nesse momento, Mike faz um de seus discursos, falando sobre como todos temos um propósito na vida e diz para todos seguirmos os nossos sonhos. Por fim, o frontman anuncia "Clap Like Ozzy", a faixa de abertura de "World Gone Mad" (2016), que novamente foi muito bem recebida por todos os presentes. Já em seguida, Mike discursa novamente e fala que a vida não é política, mas liberdade e então, anuncia o clássico moderno "Freedumb", paulada hardcore do disco homônimo de 1999. As rodas estavam absolutamente insanas e foi muito legal ver o público feminino agitando com a mesma intensidade que o masculino. Vale mencionar que os moshpits literalmente se colidiram nessa música, algo realmente insano.
O hino "War Inside My Head", de "Join the Army" (1987) veio na sequência, tornando o moshpit ainda mais violento. Diversos crowd surfings rolavam nesse momento e ainda teve um fã que subiu ao palco pouco antes desse som ser tocado. "Subliminal", outra clássica, foi tocada na sequência e o circle pit foi simplesmente de fazer o queixo cair, com todos girando feito loucos na pista. Após esse som, o baixista Ra Díaz dá boa tarde a todos e diz que é muito bom estar com todos. Nesse momento, o público entoa o coro "Ei, Bolsonaro! Vai tomar no cu!" e a banda chega a acompanhar o coro sutilmente. Antes de tocarem o próximo clássico, Mike discursa mais uma vez e fala sobre como o skateboarding mudou a sua vida e dedica a música seguinte a todos os skatistas. É claro que a música não poderia ser outra a não ser "Possessed to Skate", que foi tocada com toda a energia possível e claro, o público respondeu da forma mais insana e intensa possível.
A groovada "Send Me Your Money" foi a música seguinte e fez a pista pular e agitar em cada arranjo tocado. Destaque total para o baixo pulsante de Ra Díaz, extremamente fiel ao tocado originalmente por Robert Trujillo (Metallica, Infectious Grooves) em "Lights...Camera...Revolution". Mike diz "Muito obrigado!" em português e em seguida, Díaz fala que quer todos enlouquecendo no próximo som e anuncia o clássico moderno "Cyco Vision", que faz a pista virar um verdadeiro pandemônio – no melhor sentido da palavra. O gran finale fica reservado para os hinos "How Will I Laugh Tomorrow" e "Pledge Your Allegiance", de "How Will I Laugh Tomorrow When I Can't Even Smile Today" (1988), que encerraram a apresentação de forma apoteótica, com todos agitando tanto quanto nas músicas anteriores. Destaque também para o guitarrista convidado Ben Weinman, que se aproximou do público que estava mais a frente e também subiu em uma das estruturas do lado direito do palco.
Ao término do show, um dos organizadores do evento trocou algumas palavras com o público e falou brevemente sobre o Sick Bastards Social Club, projeto atual de Mike Muir, que deverá render muitos shows por aqui ainda. Após essa troca de palavras com o público, alguns brindes (camisetas) foram jogados na plateia, encerrando a noite com chave de ouro. Insano, intenso e deliciosamente perfeito. Assim é um show do Suicidal Tendencies. Essa foi a terceira vez que esse que vos escreve viu Mike Muir e cia. ao vivo e foi novamente maravilhoso. Que esses monstros retornem para cá sempre que possível. Suicidal for Life!
Integrantes:
Mike Muir (vocal)
Dean Pleasants (guitarra)
Ra Díaz (baixo)
Músicos convidados:
Ben Weinman (guitarra)
Brandon Pertzborn (bateria)
Setlist:
1. You Can't Bring Me Down
2. I Shot the Devil
3. Lost Again
4. Clap Like Ozzy
5. Freedumb
6. War Inside My Head
7. Subliminal
8. Possessed to Skate
9. Send Me Your Money
10. Cyco Vision
11. How Will I Laugh Tomorrow
12. Pledge Your Allegiance
Redigido por David "Fanfarrão" Torres






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