[Exclusive Voice] Dia Mundial do Meio Ambiente - Top 20 Músicas Para Celebrar e Refletir

 

Hoje inauguramos oficialmente no Blasting Noise Fanzine a série de quadros especiais Exclusive Voice, uma sessão dedicada a matérias singulares e distintas, que focarão em temas e musicalidades diferentes entre si e para darmos início a essa empreitada, nada melhor que abordarmos um tema bastante crítico e cuja significância de ser debatida é deveras gigantesca.

Celebrado anualmente em 5 de junho, o Dia Mundial do Meio Ambiente é uma daquelas datas cuja importância é autoexplicativa, entretanto fatalmente passa desapercebida pela maioria. Visando estimular a promoção de ações tanto de proteção como preservação do meio ambiente e da natureza como um todo, é uma ocasião que desempenha a função simultaneamente de advertência, conscientização e o mais puro e sincero ativismo. 

Talvez muitos desconheçam, porém em 5 de junho de 1972 se iniciou a Conferência de Estocolmo, que nada mais é que a primeira das assembleias das Nações Unidas à respeito do ambiente humano e que perdurou até o dia 16, resultando numa cúpula entre muitas ONGs e governos. Fruto dessa cúpula, o Dia Mundial do Meio Ambiente foi oficializado no calendário da ONU (Organização das Nações Unidas) desde então.

Lamentavelmente, em tempos onde a ignorância e a desinformação atingem proporções cada vez mais estarrecedoras e sobrenaturais, sobretudo devido a vasta disseminação de fake news, mídias e veículos dos mais diversos tipos e categorias pra lá de tendenciosos, bem como da ascensão exponencial da extrema direita e do reacionarismo, além do negacionismo em virtude da pandemia, o significado e a relevância dessa data se demonstram mais cruciais do que nunca.

Tendo tudo isso em mente, nós do Blasting Noise Fanzine preparamos um Top 20 de canções que debatem pautas sobre o meio ambiente em suas mais diversas formas. Desde já, peço desculpas por somente publicar esse listão hoje e não ontem, porém reforço que não devemos encarar essa data como algo simbólico e cujo valor fica restrito ao 5 de junho, muito pelo contrário!

Assim como já deixei bem claro anteriormente em outra publicação, a nossa intenção na página é abordar estilos e subgêneros de dentro e também fora do rock/metal, abrindo espaço para propostas diferenciadas, ousadas e igualmente influentes e de padrão de qualidade ímpar. Sendo assim, preparem-se para uma seleção de composições das mais heterogêneas vertentes, incluindo pop, MPB, soul/R&B, além da já trivial dose incendiária de rock e metal em suas mais excruciantes e engenhosas faces. 

Antes de iniciar, comunico que nenhum artista ou composição foi listada por ordem de importância. Creio que todas as faixas/músicos selecionados possuem o mesmo grau de relevância e qualidade, lírica e sonoramente falando. Dessa forma, tudo aqui foi meramente listado por ordem alfabética e nada mais. Preparados? Pois bem, sem mais delongas vamos embarcar nessa deliciosa e incisiva jornada musical!


20. Bad Religion - "Kyoto Now!"

Álbum: "The Process of Belief"

Estilo/Subgênero: hardcore punk

Ano: 2002

Como bom entusiasta de hardcore punk e levando em consideração o posicionamento e conteúdo lírico da maioria dos grupos desse universo, a presença de um representante veterano como os californianos do Bad Religion é obrigatória. "Kyotto Now!" é uma típica canção da banda, absolutamente enérgica e com aquela pegada melódica ainda mais característica dos lançamentos dos anos 2000. Sua letra, assim como aponta seu título, que diga-se de passagem é mais direto que um soco bem dado no rosto do ouvinte mais desavisado, simplesmente possui vida própria e categoricamente fala por si.

Aos que não se recordam, o Protocolo de Quioto é um acordo internacional de postura severa buscando reduzir a emissão de gases que resultam no temível efeito estufa, ou seja, a razão primordial para o infame aquecimento global. Apesar disso, ao prestarmos atenção na letra sempre maravilhosa do BR, de imediato percebemos como todo um olhar panorâmico é apresentado, o que torna a canção ainda mais poderosa e reflexiva. Exemplificando mais, podemos citar a estrofe inicial, que soa tão afiada quanto um bisturi se levarmos em consideração precisamente nosso atual cenário mundial.

[Tradução do idioma original em inglês para português]

"É uma questão de presciência

Mas não do tipo de ficção científica

É tudo sobre ignorância

E cobiça e milagres para os cegos

A mídia exibindo políticos incoerentes

Baseados na pilhagem petroquímica

E somos seus reféns"



19. Beach Boys - "Don't Go Near the Water"

Álbum: "Surf's Up"

Estilo/Subgênero: blues rock/art rock/sunshine pop

Ano: 1971

Considerado um de seus trabalhos mais maduros, o décimo sétimo álbum dos igualmente californianos Beach Boys contem a faixa, "Don't Go Near the Water", composição que também aposta nesse direcionamento mais adulto. Seu andamento moderado é agradável e viajante, porém se opõe a estética de sua letra, que muito embora seja simples, é quem de fato acaba se destacando ainda mais, visto que vai na contramão daquilo que a banda pregava em seus trabalhos anteriores, lamentando a poluição humana na água, proporcionando uma nova ótica para o grupo que outrora era tipicamente festeiro. 

É importante ressaltar que a ideia de apostar num caminho mais "politizado" foi sugerido pelo gerente da banda, Jack Rieley, uma proposta estrategicamente utilizada para manter o grupo relevante. É curioso como tanto a letra como o título do álbum, bem como sua arte de capa "interrompem" a paixão do Beach Boys com surf e tudo mais. É realmente irônico observar como ao invés de promoverem novamente uma ode a prática de surfar e etc, fazem justamente o oposto, orientando a todos ficarem longe da água. Que mudança brusca de cenário!

[Tradução do idioma original em inglês para português]

"Pasta de dente e sabonete farão de nossos oceanos um banho de espuma

Então, vamos evitar consequências ecológicas

Começando comigo

Começando com você"



18. Cattle Decapitation - "The Unerasable Past"/"Death Atlas"

Álbum: "Death Atlas"

Estilo/Subgênero: death metal progressivo/grindcore

Ano: 2019

O Cattle Decapitation se consolidou gradativamente como um dos grandes pilares do metal extremo e também uma legítima força da natureza, — com o perdão do trocadilho, visto que cada vez mais as letras do grupo abordam causas em prol da supremacia animal e ambientais. O mais recente lançamento da também banda californiana, o magnânimo "Death Atlas", é indubitavelmente o trabalho mais maduro concebido por eles e é até impressionante — pra não dizer assustador — como seu conceito e composições ecoam como presságios tenebrosos para a cadeia de eventos calamitosos que se desenrola desde o início de 2020 até agora e é exatamente por essa razão que escolhi as duas últimas faixas dessa obra sagaz e maravilhosa. 

Na realidade, praticamente qualquer faixa do álbum poderia figurar aqui, entretanto as duas últimas composições, além de se possuírem um fio condutor tão resistente quanto as demais músicas que as antecedem, deram luz a um vídeo/curta-metragem tão belo e comovente como suas letras e sonoridade, que mesclam o que há de melhor no grotesco e belo, um amálgama lisérgico proporcionado pela soberba e pontual fusão de black, death, grind e doom metal. Prestem atenção nesses trechos tão melancólicos quanto precisos e tirem suas próprias conclusões.

[Tradução do idioma original em inglês para português]

"Não há medo de amanhã quando não há confiança para hoje

Não existe nunca depois, as dívidas têm que ser pagas


Nós merecemos tudo que está por vir

Nós levamos este mundo para nossos túmulos

Nós transformamos suas criaturas em nossos escravos

Quebrou a ampulheta, um passado que não pode ser apagado

Humanos, Demônios, enlouquecidos e depravados

E eu conto os dias até expirarmos nossos caminhos

E eu conto os dias até expirarmos para sempre


Estar vivo é sobreviver a tudo

Para fazer o vencimento com qualquer coisa, até morrermos

Estar vivo é esbanjar tudo

Para tropeçar em qualquer coisa, para se sentir vivo"

17. Chico Science & Nação Zumbi - "Manguetown"

Álbum: "Afrociberdelia"

Estilo/Subgênero: manguebeat/rock alternativo/funk rock/rock industrial

Ano: 1996

Há 25 anos anos atrás, foi lançado o segundo álbum de estúdio Chico Science & Nação Zumbi, que por sinal também é um dos trabalhos mais intrigantes e importantes da história do rock brasileiro. Além de incorporar doses ainda mais cavalares de música eletrônica e hip hop em suas composições, "Afrociberdelia" prima por conter tantos clássicos da banda como seu antecessor, o igualmente excelente "Da Lama ao Caos" (1994), um feito e tanto e que merece ser contemplado e jamais esquecido.

"Manguetown" é uma pérola que já nasceu um clássico. Me recordo bem que, desde meus tempos de ensino fundamental nas escolas, as letras do álbum eram objetos de estudo, em especial essa aqui. Os versos iniciais abaixo não mascaram a importância dessa grande banda, desse imenso álbum e dessa genial pessoa que era Francisco de Assis França (1966 — 1997), mais conhecido como Chico Science. Curiosidade aleatória: Chico comemorava aniversário em 13 de março, mesmo dia que João Gordo (Ratos de Porão), o igualmente saudoso José Mojica Marins (1936 — 2020), o eterno Josefel Zanatas, o Zé do Caixão e um dia antes desse que vos fala agora. Rest in Power, manguebeat master!

"'Tô enfiado na lama

É um bairro sujo

Onde os urubus têm casas

E eu não tenho asas

Mas estou aqui em minha casa

Onde os urubus têm asas

Vou pintando, segurando a parede

No mangue do meu quintal Manguetown


Andando por entre os becos

Andando em coletivos

Ninguém foge ao cheiro sujo

Da lama da Manguetown

Andando por entre os becos

Andando em coletivos

Ninguém foge à vida suja

Dos dias da Manguetown"


16. Cólera - "Deixe a Terra em Paz" 

Álbum: "Deixe a Terra em Paz"

Estilo/Subgênero: hardcore punk

Ano: 2004

Voltando ao hardcore punk, os brasileiros do Cólera sempre deixaram seus posicionamentos e ideias bem claros em seus trabalhos em toda sua vasta e invejável trajetória. "Deixe a Terra em Paz" é aquele álbum cujo título já diz tudo e não deixa nada entrelinhas, muito pelo contrário. A mensagem é nua e crua e não apenas a excepcional faixa-título, mas também outro som do mesmo álbum aposta num caminho muito semelhante, a rápida "Oxigênio", ainda que invista numa letra minimalista, porém tão direta e reta quanto sua urgência instrumental. 

A imponente diatribe aos maus tratos a Amazônica, camada de ozônio e tudo que engloba a destruição dos recursos naturais é questionada com uma truculência necessária e que apenas a banda é capaz de empregar com tamanho vigor. E claro, também é de suma importância destacar outros clássicos existentes em trabalhos anteriores e igualmente antológicos do grupo paulistano que abordam pautas ambientais, tais como as uniformemente excelentes "Verde" e "Don't Waste It", de "Verde, Não Devaste!" (1989). Redson (1962 — 2011) vive!

"Tratores derrubando a Amazônia

Camada de Ozônio, ferida sangrando

Matança, egoísmo em massa

É uma emergência!

É uma emergência!


A Terra, um lugar pra morar

Tem muita mata, muita chuva e tem ar

Espera só pra ver os leões

As aves, os peixes e os imensos vulcões"



15. Depeche Mode - "The Landscape is Changing"

Álbum: "Construction Time Again"

Estilo/Subgênero: synth-pop/industrial

Ano: 1983

Deixando de lado os sons mais rápidos e frenéticos novamente, bora relembrarmos uma gema oitentista igualmente marcante e prestigiosa, sendo ela "The Landscape is Changing", a sétima faixa de "Construction Time Again", a terceira entrega de estúdio dos vanguardista do Depeche Mode. Sintetizadores que ecoam pelos alto-falantes na mais deslumbrante feição narcótica e transcendental são o suficiente para tornar uma canção dessa estirpe tão elegante e provocante, mas mesmo assim o conjunto não se contenta em se fixar meramente em melodias e arranjos vistosos embalados por vocais valorosos e apaixonantes.

Nada obstante essa compilação de caprichos sonoros, a composição prima imensamente por nos brindar com mais uma letra tão envolvente quanto intriguista e proveitosa, que retrata a degradação ambiental pelas mãos humanas e incentiva a prática de preservação da natureza sem desperdiçar tempo para firulas supérfluas. O trecho abaixo capta bem o argumento louvável empregado pela banda.

[Tradução do idioma original em inglês para português]

"A paisagem está mudando

A paisagem está chorando

Milhares de hectares de floresta estão morrendo

Cópias de carbono das colinas acima da linha da floresta

Riachos de ácido estão fluindo mal pelo campo


Porque eu não me importo se você não vai a lugar nenhum

Apenas cuide bem do mundo

Eu não ligo se você não vai a lugar nenhum

Apenas cuide bem do mundo"



14. D.R.I. - "Acid Rain"

Álbum: "Definition"

Estilo/Subgênero: crossover thrash/thrash metal/hardcore

Ano: 1992

Costumo dizer que o mal da maioria dos ouvintes de som pesado é se limitar a ouvir frequentemente apenas álbuns medalhões e de qualidade inquestionável de suas bandas e artistas prediletos. Esse mau hábito é um forte exemplo de conduta que impede que muitos dediquem o mínimo de tempo que seja para degustarem de materiais dotados de uma virtude tão radiante que, por diversas vezes, é capaz até mesmo de ofuscar, mesmo que sutilmente, trabalhos que são reproduzidos à exaustão pela maioria. Um forte exemplo desse tipo de obra injustiçada é "Definition", o sexto álbum de estúdio da banda texana veterana Dirty Rotten Imbeciles — D.R.I., para os chegados.

A faixa de abertura de um dos trabalhos mais apagados e diria que subestimados dos Sujos, Podres e Imbecis possui um peso portentoso e um andamento que cresce progressivamente e sempre garante altos momentos de diversão e loucura desenfreados nos moshpits de seus shows. Aliás, posso afirmar isso com toda certeza, pois sempre estou na roda nas apresentações dos padrinhos do crossover mundial. Contudo, é impossível falar de "Acid Rain" sem destacar sua letra, que assim como o título indica, retrata os efeitos provocados pela chuva ácida. Além de simples e direta, é uma daquelas músicas na qual diversos versos grudam no inconsciente dos ouvintes logo nas primeiras audições.

[Tradução do idioma original em inglês para português]

"Isso pode causar câncer em humanos?

E de que vale tudo isso

Aquecendo nosso globo

Destruindo nossa própria Terra?

O que eles vão pensar

De nós sem preocupação

Sobre os mares de merda

E a radiação queima?


Chuva ácida

Sente o cheiro da chuva chegando?

Chuva ácida

Corra para se proteger agora!

Chuva ácida"


13. Gojira - "Amazonia"

Álbum: "Fortitude"

Estilo/Subgênero: groove/death metal progressivo

Ano: 2021

Estagnar é uma palavra que definitivamente os franceses do Gojira desconhecem e para mim, tal postura é uma virtude, uma vez que o desejo por evolução e diversificação é uma característica praticamente básica para determinado grupo ou artista figurar entre os meus preferidos, independente do estilo, subgênero ou proposta, não importa. Sempre almejando alçar voos e horizontes divergentes à cada trabalho lançado, a banda lançou nesse ano seu último álbum, o já aclamado pelo público e pela crítica "Fortitude" e uma das razões que tornam esse petardo tão querido por uma legião de apreciadores, além da sonoridade espetacular e rica em identidade e feeling, é seu conteúdo lírico, sem sombra de dúvidas. 

Olha, a verdade é que poderia ter escolhido diversas composições do catálogo da banda, seja desse ou de trabalhos anteriores, contudo uma vez que esse single/videoclipe gerou uma recente coqueluche nas redes sociais e até agora tamanho feedback vem repercutindo cada vez mais, especialmente após o lançamento do novo álbum, nada mais justo que incluir essa belezura por aqui. Bebendo nas mesmas fontes dos brasileiros do Sepultura à partir do lendário "Chaos A.D." (1993), "Amazonia" discorre sobre aquele que é certamente nosso maior tesouro, pura e simplesmente isso. Advirto desde já que muito em breve rolará um review do álbum em nossa page também, portante fiquem bem atentos, fãs do Gojirão da massa! Destaque para alguns versos, tais como os que reservei abaixo:

[Tradução do idioma original em inglês para português]

"O maior milagre

Está queimando no chão"


[...]


"Poderosa amazonia

Matando a amazônia

Divina amazônia

Amazonia sangrenta"



12. Marvin Gaye - "Mercy Mercy Me (The Ecology)"

Álbum: "What's Goin' On"

Estilo/Subgênero: soul/R&B

Ano: 1971

O saudoso Marvin Gaye (1939 — 1984) certamente foi um dos maiores expoentes de sua geração e a sexta faixa de seu décimo primeiro álbum definitivamente merece figurar nesse listão, não apenas pela sua inquestionável qualidade sonora que torna essa canção um legítimo clássico do soul/R&B, mas pelo simples fato de sua temática se enquadrar sabiamente com a proposta dessa matéria. E caralhos voadores, até o termo "ecology" (ecologia) está presente em seu título! Com um combo desses, não deu outra.

A deflagração provocada pela destruição do ser humano para com os animais e todos os recursos naturais é abordada cirurgicamente mais uma vez. A radiação e o envenenamento por produtos químicos são mencionados de modo lacônico e de fácil compreensão e ainda existe espaço para o questionamento de "para aonde foi o azul dos céus", uma indagação que mesmo após tantas décadas do lançamento do álbum é emitida por todos nós e soa tão autêntica quanto orgânica, sem mais.

[Tradução do idioma original em inglês para português]

"Woah, ah, misericórdia, misericórdia de mim

Ah, as coisas não são o que costumavam ser (não são o que costumavam ser)

Para onde foram todos os céus azuis?

Veneno é o vento que sopra

Do norte e sul e leste


Woah, misericórdia, misericórdia de mim, sim

Ah, as coisas não são o que costumavam ser (não são o que costumavam ser)

Óleo desperdiçado no oceano e em nossos mares

Peixe cheio de mercúrio


Oh Jesus, sim, misericórdia, misericórdia de mim, ah

Ah, as coisas não são o que costumavam ser (não são o que costumavam ser)

Radiação subterrânea e no céu

Animais e pássaros que vivem nas proximidades estão morrendo"


11. Michael Jackson - "Earth Song"

Álbum: "HIStory: Past, Present and Future, Book I" (Disco 2)

Estilo/Subgênero: pop/dance-pop/urban rock/R&B/new jack swing/funk/hip-hop

Ano: 1995

Direto de "HIStory: Past, Present and Future, Book I" (Disco 2), "Earth Song" é uma daquelas canções que fixam em nossa mente facilmente, característica que já é por natureza uma das marcas registradas do finado e eterno rei do pop, Michael Jackson (1958 — 2009). Suas harmonias crescem progressivamente e não demora muito a atingirem o seu clímax, com coros e backing vocals estonteantes, acompanhados por uma levada atraente.

Novamente, temos uma letra tão autoconsciente quanto autoexplicativa, que levanta uma admirável reflexão do sofrimento provocado ao planeta Terra. É muito interessante ver como até mesmo os males da fé são questionados em um dos versos, retratando como o homem destrói mesmo quando alega que algo é sagrado para ele, como a Terra Santa. Quando ver alguém alegando que músicas pop não apresentam conteúdos profundos, esfregue uma letra dessas bem no rosto do indivíduo que ousar dizer isso, especialmente aquele "roqueirão"/"metaleiro" extremista que você conhece. 

Em tempo, por mais que não esteja mais entre nós há mais de uma década, o legado imortal de MJ jamais será apagado da existência. 

[Tradução do idioma original em inglês para português]

"Que tal nascer do sol?

Que tal chuva?

E sobre todas as coisas

Que você disse que íamos ganhar?


E quanto aos campos de morte?

Existe uma hora?

E sobre todas as coisas

Que você disse que era seu e meu?


Você já parou para notar

Todo o sangue que derramamos antes?

Você já parou para notar

Essa Terra chorando, essas praias chorosas?"

10. Midnight Oil - "Beds Are Burning"

Álbum: "Diesel and Dust"

Estilo/subgênero: rock alternativo/college rock/hard rock/post-punk/new wave

Ano: 1987

Graças ao seu sexto álbum de estúdio, os australianos do Midnight Oil estouraram mundialmente e se tornaram presença constante na programação da MTV, incluindo aqui em terras tupiniquins, com seus videoclipes sendo veiculados incansavelmente. Posso garantir isso, pois até cansei de assistir a diversos vídeos da banda semanalmente e se tratando de seus sucessos, um dos hits mais bem-sucedidos e conhecidos do grupo está presente justamente aqui em "Diesel and Dust".

Icônica com sua pegada cadenciada e que condensa sabiamente elementos de post-punk, rock alternativo e ritmos pra lá de envolventes, "Beds Are Burning" é uma legítima canção ativista, desde seu título até o seu profundo conteúdo lírico e convenhamos, é o mínimo que se espera de uma banda cujo nome já diz muito sobre sua conduta e posicionamentos. Assim como em todas as letras citadas até agora, uma reflexão sobre a natureza e o planeta Terra é arremessada na mesa e o resultado não poderia ser outro, a não ser um dos maiores clássicos do rock alternativo do fim da década de oitenta.

[Tradução do idioma original em inglês para português]

"Como podemos dançar

Quando nossa terra está girando

Como vamos dormir

Enquanto nossas camas estão queimando


Como podemos dançar

Quando nossa terra está girando

Como vamos dormir

Enquanto nossas camas estão queimando


A hora chegou

Para dizer justo é justo

Para pagar o aluguel

Agora, para pagar nossa parte"


9. Milton & Chico - "O Cio da Terra"

Álbum: "Milton & Chico" (Compacto) 

Estilo/Subgênero: MPB

Ano: 1977

Atmosférica, sonoramente bela e cativante da primeira a última nota, seja pelos seus arranjos delicados como pela sutileza e suavidade das vocalizações, "O Cio da Terra" é um dos grandes hinos da MPB. Composta por Milton Nascimento em parceria com Chico Buarque, a canção foi lançada originalmente em um compacto contendo duas faixas, sendo a primeira "Primeiro de Maio" e esta, a segunda, pelo selo Philips. Posteriormente, ambas as canções foram relançadas como faixas bônus de uma nova versão do álbum "Geraes" (1976), disponibilizada em 1994. 

Com uma letra breve e que retrata a causa agrária de forma simples, contudo muito bem construída, não é nada difícil compreender o motivo da composição e letra terem nascido verdadeiros clássicos da nossa música. Aqui não há espaço para metáforas ou trocadilhos, tudo é descrito no sentido literal da palavra, jamais dificultando a transmissão da mensagem e nunca abandonando o brilho da cantiga em si. O conteúdo lírico, por sinal, é atemporal e exalta a sua premissa calorosamente e certeira.

"Debulhar o trigo

Recolher cada bago do trigo

Forjar no trigo o milagre do pão

E se fartar de pão


Decepar a cana

Recolher a garapa da cana

Roubar da cana a doçura do mel

Se lambuzar de mel


Afagar a terra

Conhecer os desejos da terra

Cio da terra, a propícia estação

E fecundar o chão"


8. Napalm Death - "On the Brink of Extinction" 

Álbum: "Time Waits for No Slave" 

Estilo/Subgênero: grindcore/death metal

Ano: 2009

Falar em artistas/grupos sócio-políticos sem mencionar os ingleses do Napalm Death beira a heresia. Com quatro décadas de carreira, a legendária instituição do grindcore mundial e da música feia, suja, transgressora e por diversas vezes igualmente bela e experimental permanece sendo um dos nomes mais relevantes da música pesada em todo globo e tudo isso se deve a fatores fundamentais: atitude, posicionamento progressista e irredutível, fome por evolução, peso, caos sonoro e uma vontade incontrolável de jamais deixar as engrenagens de seu rolo compressor pararem de girar.

Em seu décimo terceiro álbum de estúdio, temos a ecológica e brutal "On the Brink of Extinction", uma de suas composições dos anos 2000 mais bem-sucedidas e que sempre marca presença nos shows da banda desde o lançamento do disco. Seleção natural, caos, ódio, negligência e todo tipo de comportamento e atitude nociva que condena a humanidade e toda natureza ao mais nefasto abismo está presente em sua letra. Aliás, me sinto honrado em ter cantando um verso do refrão desse clássico no show realizado pela banda aqui em São Paulo, em 2016. Uma cena que jamais será apagada de minha mente, bem como o stage dive absolutamente fanfarrônico que mandei na sequência.

[Tradução do idioma original em inglês para português]

"À medida que a vida começa a encolher

Um estado iminente de neurose

Será que vamos acordar dessa narcose negligente?


À beira da extinção

Estamos à beira da extinção


Vamos evitar uma seleção natural?

Temos o direito de sobreviver às falhas?

Natureza, sua força - a balança desequilibrada

Qual é o próximo passo? Como evoluímos?


Podemos evitar uma seleção natural?

Temos o direito de sobreviver às falhas?

Natureza, sua força - a balança desequilibrada

Qual é o próximo passo? O que podemos resolver?"



7. Nuclear Assault - "Critical Mass"

Álbum: "Handle With Care"

Estilo/Subgênero: thrash metal/crossover

Ano: 1989

Integrando aquela lista de bandas de thrash metal que mereciam ser muito mais reconhecidas e respeitadas, especialmente por aquele povinho que se limita a falar quase que exclusivamente de Big 4 americano, os nova-iorquinos do Nuclear Assault colecionam em sua discografia uma trinca de álbuns que poderia ser traduzida como uma das maiores pepitas de ouro da história da música pesada mundial: "Game Over" (1986), "Survive"(1988) e claro, essa maravilhosa joia que atende pelo nome de "Handle With Care" (1989), título e capa pra lá de emblemáticos e que captam com perfeição a mensagem que a banda visava transmitir.

Diversas vezes referido como o "clipe da bolinha", "Critical Mass" é um dos maiores clássicos da carreira do "Nuke" e seu videoclipe foi um grande estouro para a comunidade do metal desde os tempos de MTV. Com um nome desses, já dá pra sacar a pegada da letra a quilômetros por hora. Despejo de óleo, lixo atômico/tóxico, destruição de florestas, chuva ácida, além de massa crítica e biosfera nunca foram termos tão fáceis de se assimilar se não fosse por uma letra tão cortante quanto os vocais agudíssimos de John Connelly (vocal/guitarra). 

[Tradução do idioma original em inglês para português]

"Um pouco insano, o tipo de ganância

Isso torna um mundo impróprio para a vida

Resíduos tóxicos destroem os mares

Enquanto o gás venenoso polui o ar

Uma perda de vida, enquanto ninguém liga

A Terra se torna uma tumba gigante

Massa crítica será alcançada

E as ruínas serão tudo o que resta


Outro derramamento de óleo

Resíduos atômicos deslocados

Outra floresta morre"



6. Pearl Jam - "Do the Evolution"

Álbum: "Yield"

Estilo/Subgênero: grunge/rock alternativo

Ano: 1997

O carro-chefe do quinto álbum da veterana banda de Seattle, Washington (EUA) todos sabem qual é, não é mesmo? A clássica "Do the Evolution", composição que ganhou vida própria graças ao seu excepcional videoclipe, veículado a exaustão pela MTV. Co-dirigido por Kevin Altieri ("Batman: The Animated Series") em parceria com Todd McFarlane, criador do anti-herói dos quadrinhos Spawn e também responsável por outro vídeo emblemático dos anos noventa, "Freak on a Leash" (Korn), de 1998, "Do the Evolution" é um daqueles hits instantâneos e sua letra casa com perfeição com o seu clipe, uma animação de mais alto nível, cortesia do talentosíssimo McFarlane. 

Em tempo, basta olhar o título da faixa para entender do que se trata. Para bom entendedor, meia palavra basta. Certamente um daqueles videoclipes e músicas que ninguém pode morrer sem ter conferido ao menos uma vez na vida, isso sem mencionar seu material lírico, que corrobora para que esse hit seja ainda mais volumoso, imprescindível e ostensivamente prestigiado.

[Tradução do idioma original em inglês para português]

"Me admire, admire minha casa

Admire meu filho, admire meus clones

Porque sabemos, apetite para um banquete noturno

Aqueles índios ignorantes não me pegaram

Nada, por quê?

Porque é evolução, baby!


Estou na frente estou avançado

Eu sou o primeiro mamífero a fazer planos, sim

Eu rastejei pela terra, mas agora estou mais alto

2010, veja ele ir ao fogo"


5. Pink Floyd - "Take it Back"

Álbum: "The Division Bell"

Estilo/Subgênero: rock progressivo

Ano: 1994

Lançado em 1994, o décimo quarto trabalho de estúdio do Pink Floyd é o segundo registro da banda sem qualquer envolvimento do membro original e co-fundador Roger Waters e foi composto principalmente pelo vocalista e guitarrista David Gilmour em parceria com o tecladista Richard Wright e a até então noiva de Gilmour, Polly Samson, co-escreveu boa parte das letras, incluindo "Take it Back", canção essa que definitivamente merece figurar por aqui. Não obstante por se tratar de uma faixa extraída de um trabalho desse célebre e colossal dinossauro do rock, a temática de sua letra é corretíssima e substancial, algo que evidentemente soma ainda mais pontos tanto a composição como ao álbum em si, totalmente acima da média.

Harmoniosa, hipnótica e viajante em seu âmago, "Take it Back" é uma daquelas canções dos pioneiros ingleses que se destaca na multidão sem o mínimo esforço, no entanto o simples fato de possuir uma letra autoconsciente é a cereja do bolo. Se possível, ouça a música acompanhando sua letra e comprove essa experiência apetitosamente alucinógena, caso ainda não tenha parado para dar a devida atenção. 

[Tradução do idioma original em inglês para português]

"Seu amor chove sobre mim fácil como a brisa

Eu ouço sua respiração, soa como as ondas do mar

Eu estava pensando tudo sobre ela, queimando de raiva e desejo

Estávamos girando na escuridão, a Terra estava em chamas


Ela poderia voltar atrás, ela poderia retirá-lo algum dia"


4. Ratos de Porão - "Amazônia Nunca Mais" 

Álbum: "Brasil"

Estilo/Subgênero: crossover thrash/hardcore

Ano: 1989

Os paulistanos do Ratos de Porão colecionam uma espantosa discografia, que conta com hits atrás de hits, além de faixas mais subestimadas que também conservam o mesmo padrão de qualidade para si. Dentro do tema ambiental, podemos citar facilmente pedradas como "Necrochorume", uma de minhas preferidas e "Poluição Atômica, porém provavelmente uma composição sempre ficará no Top 1 da banda quando a proposta é expor os horrores causados pelo ser humano desde o início dos tempos e é "Amazônia Nunca Mais", a clássica faixa de abertura do antológico "Brasil". 

Dissertar em relação ao quarto álbum do RxDxPx e explanar como esse registro é atemporal e uma irrefutável obra-prima, além de como suas letras contemplam uma visão à frente seu de próprio tempo é chover no molhado. Além de tudo isso, dentre todas as suas quase 20 faixas pungentes e incendiárias, essa maravilha sempre é destacada por todos os amantes do grupo e claro, sua execução ao vivo é perpetuamente um espetáculo à parte e que rende aquele climão anárquico e que por sinal faz muita falta a todos nós. 

"A Mãe Terra não é de ninguém

Assim dizia quem morava aqui

A mata virgem é força do bem

E os animais, vida e razão


Mas o homem branco com seu sujo poder

Escravizou e prostituiu

Se aproveitou da pura inocência

Dos verdadeiros filhos do Brasil


Morte pra quem defende o verde e os animais

Doenças, misérias, queimadas, devastação

Por que ninguém faz nada para os deter?

Cuidado, senão, Amazônia nunca mais!"



3. Sepultura - "Guardians of Earth" 

Álbum: "Quadra"

Estilo/Subgênero: thrash/groove metal

Ano: 2020

Queiram ou não, o Sepultura é a maior banda de metal brasileiro em termos de sucesso e reconhecimento mundial, todavia estão redondamente enganados aqueles que alegam que a banda jamais lançou nada relevante após a saída de seu clássico frontman, Max Cavalera (Cavalera Conspiracy, Killer Be Killed, Soulfly, Go Ahead and Die, ex-Guerrilha, ex-Nailbomb). Na realidade, mesmo após a saída do eterno e carismático vocalista/guitarrista, o grupo não apenas continua a produzir trabalhos surpreendentes e de qualidade absurdas, como jamais se limita, sempre ousando trilhar novos territórios e usa e abusa de sábios experimentalismos que apenas permitem sua evolução.

Desde os tempos dos irmãos Cavalera, a banda sempre primou por letras e propostas calcadas em abordagens sócio-políticas, em especial em "Chaos A.D." (1993) e "Roots" (1996), que inclusive já traziam um conteúdo lírico/instrumental pra lá de cultural e inovador, onde podemos destacar faixas como "Biotech is Godzilla", "Ambush" e "Endangered Species", no que diz respeito às questões ambientais. Em "Against" (1998), o álbum de estreia do estadunidense Derrick Green nos vocais, também temos a ótima "Old Earth", contando com a mesma premissa, exemplificando mais um pouco.

Por sua vez, falando sobre o mais recente álbum dos caras, "Quadra" é a progressão natural de seu antecessor e é tão magnífico quanto ele, o soberbo "Machine Messiah" (2017). A arrasa-quarteirão "Guardians of Earth" não apenas um de seus pontos mais altos, como também esbanja uma conteúdo lírico cuja mensagem ecológica é simplesmente emocionante, especialmente se você assistir ao seu videoclipe oficial. 

[Tradução do idioma original em inglês para português]

"A luta recomeçou

O sangue está manchando nossas mãos

Desejos egoístas

Comece a matança novamente

Ilusão de riqueza

Agitando a raiva

A luta recomeçou

Sangue foi derramado


Nossa Terra

Nossa salvação

Escorrega

Nossas mãos estão atadas

Nós vendemos nossas almas

Não há lugar para se esconder


Por que, fechamos nossos olhos

Não há segunda chance

Auto destruição

Falando a verdade

Nós permanecemos vivos"

2. Soundgarden - "Hands All Over"

Álbum: "Louder than Love"

Estilo/Subgênero: grunge/metal alternativo/stoner/heavy metal

Ano: 1989

E voltamos novamente para Seattle, Washington (EUA), agora com a minha banda preferida do cenário grunge, o Soundgarden. "Louder Than Love" é o segundo álbum de estúdio do quarteto estadunidense e sua faixa de abertura, "Hands All Over" é, desde a minha adolescência, uma de minhas canções favoritas tanto da banda como do rock/metal em geral e como devem imaginar, existem motivos realmente satisfatoriamente justificáveis para tamanha façanha.

Seu início progressivo, que eclode num crescendo explosivo e em linhas de guitarra que soam como uma mescla sublime de Led Zeppelin com riffs que remetem abundantemente em trechos específicos a igualmente memorável "Even Flown" (Pearl Jam), gravada dois anos mais tarde, no histórico debut do PJ, bem como os vocais surreais e absurdos de tão agudos e afinados do inigualável Chris Cornell (1964 — 2017) são espetaculares, porém jamais podemos deixar de citar a sua letra. 

Ainda que possa de algum modo soar abstrata para muitos, já foi declarado que sua mensagem é sobre a Terra mãe e sua deplorável devastação. Basta prestarmos atenção em cada verso cantado por Cornell que a interpretação se tornará imediatamente muito mais decifrável. Em tempo, que falta o senhor faz, mr. Cornell! Nos deixou cedo demais, meu jovem...

[Tradução do idioma original em inglês para português]

"Não me toque

Mãos em toda a fronteira leste

Você sabe o que eu acho que estamos caindo

De compostura

Mãos em toda a cultura ocidental

Penas agitadas e transformando águias em abutres

Em abutres


Coloquei meus braços em volta do irmãozinho

Coloque suas mãos longe

Você vai matar sua mãe, vai matar sua mãe

Mata a tua mãe

E eu a amo, yeah

Eu a amo"


1. Surra - "Cubathrash"

Álbum: "Bica na Cara" (EP)

Estilo/Subgênero: crossover thrash/hardcore

Ano: 2012

Quem me conhece sabe bem que sou extremamente suspeito pra falar sobre os santistas do Surra. O power trio é uma de minhas bandas nacionais preferidas da atualidade e "Cubathrash" é um dos hinos não apenas de seu queridíssimo EP de estreia, contudo de todo seu catálogo. Com um título desses, nem preciso dizer que se trata sobre a poluição sobrenatural de Cubatão, certo? Putz, acabei de falar!

Não tem muito o que falar sobre esse som. Um legítimo clássico obrigatório nas apresentações ao vivo dos caras, sempre rendendo momentos pra lá de insanos e divertidíssimos, incluindo os indispensáveis "karaokês do Surra". Ultraviolência sonora em sua mais pura e ímpia forma e letra absolutamente implacável, ingredientes que tornam essa voadora na fuça "moshante" tão admirada pelos fãs do grupo e de crossover/hardcore e som desvairado e bruto em geral.

"Podridão no ar

Fode meu pulmão

Lixo nuclear

Isso é Cubatão"


[...]


"Não posso aguentar

Mais poluição

Eu quero me matar

Isso é Cubatão"


Aos adeptos do Spotify, disponibilizamos abaixo o link da playlist desse Top 20. Caso ouçam pelo Spotify, certamente notarão que constam 21 faixas. A razão dessa diferença é o fato de "The Unerasable Past" e "Death Atlas" (Cattle Decapitation) estarem unificadas nesse post, graças ao link do curta-metragem/vídeo oficial, que condensa ambas as músicas em apenas uma, enquanto na playlist estão desmembradas, uma vez que foram extraídas do álbum. Como a primeira serve como uma espécie de introdução a segunda, consideramos como um único som.

Odeio deixar algo com ponto sem nó e para concluir tudo de forma precisa e satisfatória na medida do possível, todos temos plena ciência de que a população mundial não possui o hábito de refletir, se importar verdadeiramente e principalmente adotar medidas até mesmo básicas no que diz respeito essencialmente aos riscos e danos por diversas vezes irreparáveis provocados por cada um de nós e tal como falei anteriormente, uma data como essa, assim como a maioria que estamos acostumados a nos deparar diariamente no decorrer de cada ano, jamais deveria ser encarada como uma espécie de ocasião "exclusiva".

"Pratique aquilo que você prega". Sectarismos como a ignorância, o negacionismo e a prática de ações que claramente são intransigentes e nocivas a todos ao nosso redor devem ser combatidos veementemente. Em uma era predominada pelo mal e atitudes e comportamentos estupidamente repulsivos e desprezíveis, não apenas no que diz respeito a pautas voltadas a causas ambientais como político-sociais de toda espécie, comemorar o Dia Mundial do Meio Ambiente não é sinônimo de festa e diga-se de passagem, a sua celebração não é algo que deve tampouco ser tratado como uma banalidade. É um ato político e um manifesto desse gabarito deve ser exercido diariamente.

Espero que apreciem o nosso Top 20 e lembrem-se de que as mensagens expressadas em cada uma das letras dessas canções são ainda mais importantes que a musicalidade em si. Muitas composições listadas aqui foram escritas há décadas atrás e soam assustadoramente atuais, comprovando como a humanidade permanece arruinando os recursos naturais e principalmente como o discurso e as práticas ecológicas são de suma importância. Pensem, reflitam, ajam e façam a diferença todos os dias. 

Se cuidem, amigos e amigas e até a próxima!

Redigido por David "Fanfarrão" Torres

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