[Exclusive Voice] - Dia Mundial (Só no Brasil) do "Róque" - 10 Discos... Que Moldaram Nossa Ausência de Caráter


ADVERTÊNCIA!

A publicação à seguir pode incentivar gatilhos "roquistas", como escutar artistas de conteúdo duvidoso, músicas de baixo nível de qualidade e conteúdo depreciativo, com fortes inclinações ao satanismo. 
Vocês foram alertadxs! 

Sim, meus caros Fanfarrões e Fanfarorronas ávidos por muita barulheira desgovernada, gritarias desenfreadas e histerias sonoras mil! Hoje é a vossa data, o dia daqueles que "escutam som de doido", de "doente mental", "música que não se entende nada", onde "tudo é gritado" e por aí vai. Sim, hoje é o Dia Mundial — pero no mucho —  do "Róque" e sim, bem como aponto no título da matéria, é uma ocasião celebrada apenas em território brasileiro. Mas quer saber? Melhor pra nós, pois abre mais espaço para publicarmos algo à respeito, oras pois.

Dito tudo isso, vamos ao que interessa, seus "doido tudo vestido de preto". Mediante a data, tive a ideia mirabolante e fanfarrônica de publicar algo singelo para comemorar e então, separei 10 álbuns de "róque" e seus subgêneros que contribuíram imensamente para a construção de minha completa ausência de caráter. Ah e sim, nesse texto vou me referir a essa suposta "música do tinhoso" como "Róque" até o final... porque sim!

Antes de partimos para o nosso Top 10, gostaria de esclarecer que as minhas escolhas não foram relacionadas por ordem de importância e sim de acordo com meus primeiros contatos com cada um desses artistas e estilos, destacando obras que foram essenciais para moldar tanto o meu gosto como personalidade e tudo mais. Sem mais delongas, bora pra lista!



10. Pearl Jam - "Ten"
Estilo/Subgênero: grunge/rock alternativo
Ano: 1991
Selo: Epic Records

Costumo dizer a todos que me conhecem que sempre fui uma pessoa completamente conectada a arte em geral. Cinema, literatura, quadrinhos, música... tudo isso sempre fez parte da minha vida e do meu DNA. Cresci ouvindo LPs, CDs e fita cassetes, que iam desde Depeche Mode, música clássica, trilhas sonoras de filmes e flash house a Van Halen, Dire Straits, Europe, 4 Non Blondes e um tal de Pearl Jam. Pode parecer mentira, porém lembro até hoje do dia em que meu pai me levou a uma loja de discos que existia no Largo Treze (SP) durante o início dos anos 90, desejando comprar o icônico álbum de estreia de Eddie Vedder e cia. Até os dias de hoje, é um dos meus álbuns de "róque" preferidos de todos os tempos, além de um dos discos que mais escutei na vida e que certamente me fez ficar completamente apaixonado por todo aquele frenesi que é a música pesada.



9. Sepultura - "Arise"
Estilo/subgênero: thrash/death metal
Ano: 1991
Selo: Roadrunner Records

Certa vez, enquanto voltava da escola de carro com um colega, botaram um CD para rolar e era nada mais nada menos que o arrasa-quarteirão "Arise", o quarto álbum de estúdio da maior banda de metal tupiniquim, o Sepultura. Eu fiquei completamente impressionado com aquele assalto sonoro, desde a absurda ilustração de capa do genial Michael Whelan até as letras bem construídas — sim, eu já manjava um pouquinho de inglês com apenas 12 anos de idade, sempre fui um prodígio no idioma, modéstia parte — e principalmente com o primor da musicalidade do quarteto brasileiro. O impacto foi tanto que, ao chegar em casa, fui correndo tentando desenhar algo baseado naquela arte lovecraftiana que estampa o play. Até os dias de hoje é um dos meus discos preferidos de uma das bandas que mais me influencia em tudo.



8. Iron Maiden - "The Number of the Beast"
Estilo/Subgênero: heavy metal
Ano: 1982
Selo: EMI

Direto e reto: primeiro disco que comprei na vida, ao lado de "Out in L.A." (1994), uma compilação de outra banda que se tornaria uma de minhas prediletas, o Red Hot Chili Peppers... mas o assunto de agora é a Donzela de Ferro, então vamos lá. Cara, lembro que a primeira vez que ouvi falar sobre o Iron Maiden foi através de uma revista de horror que tinha e nela, havia a capa de "The Number of the Beast", com aquela arte magnífica e badass, desenvolvida pelo magistral Derrick Riggs. Quando tive a oportunidade de adquirir um disco da banda, não pensei duas vezes: tinha que ser o "The Number...". Na época, eu já havia escutado a faixa título, porém quando me deparei com as primeiras notas da faixa de abertura "Invaders", com a sutileza dos arranjos iniciais de "Children of the Damned", os solos de guitarra e os riffs infernais de "22 Acacia Avenue" e a apoteótica "Hallowed Be Thy Name", o resto é história. Por muitos anos, foi minha banda preferida, ao lado de outras, como o já mencionado Sepultura.



7. Faith No More - "The Real Thing"
Estilo/Subgênero: metal/rock alternativo/funk metal/avant-garde
Ano: 1989
Selo: Slash Records

Pensa numa banda maluca! Certo, agora multiplique isso para algo ainda mais doido, coloridão pra cacete, com um peixe pulando fora d'água, com arranjos épicos, groovadões e que ainda são envoltos por um teclado hipnótico e que funciona como um fio condutor, um bando de caras cabeludos e estilosos, vestindo peitas de bandas como Carcass, Metallica, Napalm Death, Sepultura e um vocalista carismático que alterna seus vocais entre rap, linhas melódicas e alcances vocais impressionantes. Isso é o Faith No More da época de seu terceiro álbum de estúdio, "The Real Thing". Lembro até hoje quando assisti a videoclipes da banda na MTV e o impacto que "Epic" e principalmente "Falling to Pieces" tiveram sobre mim foram tanto que, assim que consegui conferir a discografia dos caras, aos 15 anos — na época em MP3 mesmo —, pirei no ato. Já nasceu sendo o meu álbum preferido dos californianos e se tornou uma de minhas bandas de cabeceira pra sempre desde então. Orgulho em saber que estou prestes a completar os álbuns de estúdio em mídia física.



6. Ramones - "Rocket to Russia"
Estilo/subgênero: punk rock
Ano: 1977
Selo: Sire Records

Pra variar, eis aqui uma das incontáveis bandas que conheci através de videoclipes e claro, por intermédio da trilha sonora de um certo filme de terror, a adaptação cinematográfica "Cemitério Maldito" (1989), inspirada na obra de Stephen King. Sim, é claro que falo de "Pet Sematary", hino dos gigantes nova-iorquinos do Ramones. Muito possivelmente, foi a primeira banda de punk "róque" que ouvi na vida e certamente foi um grupo que exerceu um papel fundamental na construção do meu gosto musical. Diga-se de passagem, essa afirmação é tão verídica que a minha primeira bombeta de banda foi uma dos caras, que eu usava pra lá e pra cá, da mesma forma que faço com meus bonés atuais. "Rocket to Russia", assim como para uma incontável legião de fãs, foi minha porta de entrada oficial para a banda, bem como o punk em si e é um disco que é emblemático em cada sentido da palavra. E claro, existem bandas, estilos musicais... e o Ramones, que é uma legítima entidade, uma força sobrenatural.



5. Motörhead - "Ace of Spades"
Estilo/subgênero: heavy metal/hard rock/speed metal
Ano: 1980
Selo: Bronze Records

Icônico desde a sua foto de capa, esse quarto registro de estúdio dos ingleses do Motörhead me impactou muito desde a primeira vez que o ouvi, lá durante minha adolescência e, fatalmente, se tornou meu disco favorito da banda à partir daquele momento, posição essa que jamais foi desbancada. Como um fã ardoroso de cinema de terror, conheci o Motörhead através da antológica faixa "Hellraiser", som gravado para a trilha sonora de "Hellraiser III - Inferno na Terra" (1992). Essa excepcional composição foi escrita em parceria com Ozzy Osbourne e está presente tanto na carreira solo do Madman, em "No More Tears" (1991) como em "March ör Die" (1992), de Lemmy Kilmister (1945 — 2015) e cia e me fez correr atrás pra sacar o trampo desses veteranos com muita vontade. Indiscutivelmente, uma das bandas mais barulhentas, influentes e geniais de todos os tempos e um dos melhores discos da vida também.



4. Anthrax - "We've Come for You All"
Estilo/subgênero: groove/metal alternativo
Ano: 2003
Selo: Nuclear Blast Records

Assim como diversas bandas, incluindo o Motörhead e o Armored Saint — que coincidentemente também conta com o vocalista desse álbum aqui, o grande John Bush, conheci o Anthrax através da trilha sonora de um dos incontáveis filmes de terror que amo, "A Volta dos Mortos Vivos 2" (1988). Lembro de ter assistido aos clipes de "Only" e "Indians" novamente na MTV e adorei e então, decidi ir atrás da banda. No fim da adolescência, Anthrax e Slayer rapidamente se tornaram minhas bandas preferidas do Big 4, posições essas que permanecem até agora e certa vez, indo na Galeria do "Róque" com meu finado e querido pai, decidi adquirir finalmente um CD dos caras e na ocasião, estava bem interessado em conhecer mais a fase com John Bush. Sendo assim, comprei no "escuro" o último álbum de inéditas com o João Arbusto nos vocais e cara, foi uma das melhores decisões da minha vida. Capa fabulosa do mago Alex Ross, composições que combinam peso, groove e melodia com precisão cirúrgica e muito feeling. Anthrax é subestimado sim e merece ser muito mais lembrado do que é, especialmente com Bush na linha de frente.



3. Black Sabbath - "Sabotage"
Estilo/subgênero: heavy metal
Ano: 1976
Selo: NEMS Records

A primeira vez que ouvi falar sobre Black Sabbath foi através da mesma revista que conheci o Iron Maiden e quando finalmente tive o privilégio de ouvir algumas músicas isoladas da banda, fiquei de queixo caído em como uma banda poderia soar tão pesada e transgressora em plenos anos setenta. Sempre me pego divagando à respeito do impacto que a sonoridade carregada e malevolente do quarteto teve em gerações passadas, em especial na época de seu surgimento e ascensão. Ainda mais ousado, progressivo, psicodélico e trabalhado, "Sabotage" é o sexto disco de estúdio de Tony Iommi e cia. e é simplesmente o meu trabalho favorito com Ozzy Osbourne nos vocais. Composições como as clássicas "Hole in the Sky", "Symptom of the Universe", a viajante "Thrill of It All" e as longas e maravilhosas "Megalomania" e "The Writ" figuram entre as minhas prediletas de todo catálogo da banda, apenas para vocês terem uma boa ideia. Aliás, taí um dos discos que mais ouvia na época em que ainda estudava, dono de uma capa igualmente marcante e simples, porém um conteúdo brilhante e estupidamente impagável.



2. Fear Factory - "Demanufacture" (1995)
Estilo/subgênero: metal industrial/groove metal
Ano: 1995
Selo: Roadrunner Records

Outro discaço que me fez virar fã no mesmo instante de uma certa banda estadunidense pra lá de futurista, talentosa e à frente de seu tempo. "Demanufacture" é o segundo trabalho do Fear Factory e é, atualmente, o meu preferido dos caras. Tudo nessa obra é perfeito. A capa, as letras, composições, não há uma falha sequer que eu possa expor. É um disco visionário e ajudou a disseminar uma tendência que se tornaria frequente nas próximas gerações do metal: a mescla de vocais agressivos com passagens de linhas melódicas e limpas. Pra variar, mais um grupo maravilhoso que conheci através da trilha sonora de um filme, nesse caso, "Jogos Mortais" (2004). Algum tempo depois, decidi finalmente conferir a fundo o trabalho completo de Dino Cazares e cia. e o resto, como dizem, é história.



1. Suicidal Tendencies - "Suicidal Tendencies"
Estilo/subgênero: hardcore punk
Ano: 1983
Selo: Frontier Records

Dentro do "róque", hardcore punk, thrash, crossover, death, grindcore e seus derivados sempre foram algumas de minhas vertentes preferidas e uma das primeiras bandas a me cativar foram os também californianos do Suicidal Tendencies. Anteriormente, já curtia bastante Dead Kennedys, Ramones, Ratos de Porão e tinha descoberto outras desgraceiras bem legais, como D.R.I. e Napalm Death, outros filhos bastardos do hardcore e meus primeiros contatos com o SxTx foram com os videoclipes de "Nobody Hears" e "Institutionalized", também na saudosa MTV. Certa vez, decidi ir atrás finalmente da discografia e à partir do instante que iniciei a reprodução do álbum de estreia de Mike Muir e cia., minha vida virou de cabeça pra baixo, pois havia entrada num caminho sem volta e da qual ninguém é capaz de me tirar. Fun(farronic) Fact: antes de ouvir SxTx, eu não era nem um pouco fã de bombetas de aba reta. Sempre amei usar bonés desde criança, mas apenas peguei o gosto pelas abas retas e bandanas graças a Cyco Miko e sua trupe. Muito obrigado por me tornarem um cyco Fanfarrão com F maiúsculo, mestres! 


Importante: Aos adeptos de plataformas digitais e streaming, elaborei uma playlist no Spotify compilando essas belezuras. Infelizmente, o disco "We've Come for You All" (Anthrax) não está disponível no Spotify. De todo modo, acessem a playlist e se divirtam:
   
Pra variar, espero que tanto a leitura quanto as escolhas de álbuns tenham sido agradáveis. Confesso que nos limitarmos a tão poucos discos é uma tarefa pra lá de ingrata, contudo na medida do possível aqui estão alguns dos principais responsáveis por ter me tornado amante incondicional da música desgraçada e barulhenta.

Agora é com vocês, galera fanfarrônica do gosto musical ruim! Comentem aí o que acharam dessa matéria, se possível listem também os discos que mais influenciaram cada um de vocês, relatos que desejam compartilhar conosco de suas primeiras experiências com a "música do Capiroto" e muito mais. Fiquem à vontade para interagir com "nóizes".

Por último e não menos importante, não se esqueçam de curtir e seguir nossa página no Facebook para não perderem nenhuma de nossas publicações e claro, compartilhem o nosso conteúdo com seus amigos, colegas, conhecidos — e até mesmo, quem sabe, inimigos, por que não?! — que também apreciam não apenas sonoridades subversivas, como outras propostas de qualidade ímpar em geral.

É isso. Feliz Dia do "Róque"... mas não sejam "roquistas" ou "rosqueiros"! 

Redigido por David "Fanfarrão" Torres

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